sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A Roupa Preta

Olá meus amigos. Depois de muito tempo resolvi arrancar as teias de aranha do Blog. Na verdade, acho que em vez de arrancar, vou cortá-las, como vocês poderão ver mais adiante.

Desde que me entendo por gente, que é muito comum a gente ouvir piadinhas sobre a roupa que usamos. Na época de Contax, bastava eu colocar minha camisa de cor laranja para ser chamado de gari da Comlurb. Era impressionante: se dez vezes que eu colocasse a camisa, dez vezes eu ouviria a piada. Claro que esse não era um privilégio meu. Quando estava na UFRJ tive um colega que ganhou o imortal apelido de Grapette devido a uma blusa cuja cor vocês podem imaginar.

Enfim, ultimamente nós que moramos no Rio de Janeiro temos convivido com um certo friozinho. Comum nessa época do ano, mas não muito querido para muitos. O sol até aparecia, mas só para “carioca ver”. Quem me conhece há mais tempo sabe que nesses dias eu gosto de usar roupas pretas porque absorver mais calor e com isso esquentam mais. Eis que em um belo dia resolvi usar essa tática e vestir camisa e calça preta. Naturalmente, esse conjunto também tem suas piadas. Não era a primeira vez que eu o utilizava e já estava esperando os apelidos de sempre: cavaleiro negro, zorro, carrasco e por aí vai. Mas nesse dia, pela primeira vez escutei um novo. Ao sair de casa escuto o seguinte comentário: “você está parecendo um cabeleireiro da Coiffeur”. Como sempre, dei uma risada e segui meu caminho. Não imaginava que aquele comentário havia sido apenas o primeiro de muitos.

Cheguei à empresa e fiquei na fila dos elevadores. Um colega do trabalho chega, me cumprimenta e pergunta: “vai abrir um salão rapaz?” Não digo nada, apenas comento que ele não era o primeiro a dizer isso. Enquanto me dirigia para minha mesa, ouço outro colega no corredor comentar: “caramba, ta parecendo os caras do salão aonde minha esposa vai”. Confesso que aí já comecei a ficar impressionado. Nunca tinham comentado isso e agora já eram 3! Mas o pior ainda estava por vir...

Na hora do almoço, fui até o Infocentro ver o preço de algumas mercadorias. Ao entrar numa loja, vou até um vendedor que, com um sorriso sarcástico fala: “amigo, o salão é do outro lado”. Novamente não falo nada, apenas respondo um riso sem graça. Continuo entrando em várias lojas. Até que em uma, ao perguntar a um vendedor se um determinado produto estava disponível na loja, o mesmo me responde: “ah, tem sim, achei que você ia me pedir uma tesoura”. Caramba, agora já era demais! Até estranhos estavam fazendo piadas. Comecei a procurar o que eu tinha para estar causando essa reação. Não era a primeira vez eu usava essa roupa e pela primeira vez escutei essa piada e de várias pessoas diferentes no mesmo dia.

Mas o golpe de misericórdia viria quando eu voltasse ao trabalho. Ao chegar à minha mesa, percebo que o estagiário da tarde havia feito tranças no cabelo semelhantes às do jogador Wagner Love (apelido pelo qual ele sustentou enquanto suas tranças duraram). E aí, meu colega de setor chega perto de mim e pergunta: “você que fez essas tranças nele”? Eu já nem tinha mais resposta para ninguém. O jeito foi abstrair e esperar a hora de ir para casa.

No caminho de casa as piadas pararam. Como não encontrei no Infocentro o que eu havia ido buscar, resolvi dar uma passada na seção de informática do supermercado Extra. Uma menina me atende normalmente, mostra-me os dados dos produtos, preços, diferenças entre eles, etc. Então eu faço uma pergunta um pouco mais técnica e ela pede licença para consultar no computador. Ao olhar o próprio reflexo na tela do micro, eis que a menina se vira para mim e pergunta: “meu cabelo está muito bagunçado”? Chega né?

2 comentários:

Marcos André Lessa disse...

Sensacional! Que bom que esses "causos" urbanos voltaram!
Abs, Lessa

Luciana disse...

André, parabéns pelas crônicas...adorei!