sexta-feira, 29 de outubro de 2004

A Blitz

Essa história aconteceu a cerca de três semanas atrás. Eu estava indo para casa, voltando de Niterói. É algo com o qual já me acostumei após 5 anos, mas nessa noite eu estava especialmente cansado. A única coisa que me passava pela cabeça era chegar logo em casa e dormir.
Quando eu cheguei na entrada de Caxias, observei ao longe uma Blitz da polícia. Eu sempre achei que as Blitz tem algo de contraditório. Vejam bem, a idéia da Blitz é justamente pegar o bandido de surpresa. O meliante está no seu carro, com drogas ou qualquer outra coisa que o comprometa e eis que de repente surge uma blitz e o pega desprevenido. Seria ótimo se isso funcionasse na prática, pois na verdade uma Blitz não pega ninguém de surpresa. Olhem o meu caso, eu devia estar a uns 300 metros de distância quando vi aquelas luzes da patrulha da polícia acesas. Ora, será que eles não poderiam pelo menos apagar aquela luz? Já cansei de ver carros dando a volta por cima de canteiros na Avenida Brasil quando há uma Blitz à frente. Acho que o jeito é fazer Blitz apenas na Linha Vermelha, pois lá não dá para voltar.
Bem, o fato é que quando me aproximei da Blitz, o policial olhou bem no meu rosto e me mandou parar. Puxa vida, justo hoje que eu estava doido para chegar logo em casa. Aquela Blitz sempre está ali no mesmo local (aliás esse é o outro fator que a faz perder o seu “elemento surpresa”) e raramente me para. Por que dessa vez? Pensei na Lei de Murphy, mas então, ao levar minha mão ao queixo, notei que não havia feito a barba. Meu professor de Banco de Dados diz que eu fico com cara de terrorista quando estou com a barba grande. É, talvez tenha sido que tenha feito o policial me parar. Quem sabe ele não achava que poderia encontrar uma bomba no meu carro?
“Quem não deve, não teme”, diz o ditado. Exatamente por isso eu estava tranqüilo. Já tinha renovado a carteira e o IPVA estava pago. O policial então me pediu minha habilitação. Enquanto ele averiguava, eu escutava a música do Jaspion (é isso mesmo, o fantástico Jaspion, herói japonês, lembram?). De repente, eis que o policial se vira para mim com cara de espanto. “Caramba, tem algo errado no documento” pensei. Para minha surpresa, ele olhou bem para o rádio do carro (curioso né? Se fosse uma TV até dava para entender, mas o rádio...) e me perguntou: “Essa música é do Jaspion?” “Sim”, respondi. “Que rádio toca isso”, perguntou ele ainda surpreso”. “Não é nenhuma rádio não, eu é que gravei o CD”, falei. Na mesma hora, eis que o policial recua, estica o braço me devolvendo a habilitação e diz: “pode ir, pode ir”. Eu saí de lá estranhando um tanto a atitude do policial e consegui ouvir ele comentando com o parceiro: “O cara tava ouvindo música do Jaspion!”.
Olha, eu já tinha percebido que os policias que fazem Blitz, em 90% dos casos param carros que estejam tocando algum Rap ou Funk. Se estiver alto então, é 100%. Agora, é a primeira vez que eu vejo liberarem alguém porque a pessoa estava ouvindo a música do Jaspion. Ou seja, se o cara está ouvindo Funk ou Rap, podem suspeitar dele. Mas se estiver ouvindo Jaspion, tenham certeza de que está limpo. A partir desse dia, aprendi duas coisas: a primeira é sempre ouvir músicas do Jaspion ao passar numa Blitz. A segunda é “diga-me o que escutas e te direi quem és”.

sexta-feira, 22 de outubro de 2004

A Reserva

Olá pessoal, estou inaugurando meu Blog. Estive pensando em qual seria a melhor forma de iniciar. Como a idéia do Blog é publicar algumas crônicas reais ou fictícias, resolvi então começar publicando uma história real que me aconteceu e a qual muitos de meus amigos conhecem.

A história se passou à cerca de dois meses e meio. Eu tinha de fazer um trabalho para a disciplina “Jornalismo Político” e procurava alguns livros que pudessem servir de referência. No trabalho eu tinha de falar sobre políticas de comunicação. Acreditem, não é fácil achar livros com este tema. Procurei bastante até que encontrei um livro no acervo da biblioteca da UFF chamada “Agências de Comunicação – Como Agem”. “Nossa, caiu como uma luva”, pensei. Mas qual não foi minha decepção quando ao chegar na prateleira onde estava percebi que ele não estava lá. Bem, o jeito era voltar outro dia.

No outro dia voltei à biblioteca para procurar o livro e ele ainda não tinha sido devolvido. E isso se repetiu por mais uns 3 dias. Resolvi então perguntar a uma funcionária quando o livro seria devolvido. Sem nem olhar para mim, ela me disse que não tinha como saber disso. “Nossa, então se eu ficar com o mesmo livro por um ano ninguém vai saber, já que eles não controlam datas de devolução de um livro”, pensei. É claro que foi um pensamento sarcástico, pois estava na cara que a funcionária é que não queria averiguar para mim. Bem, não adiantava eu ficar indo todo dia na biblioteca, pois a pessoa que pegou poderia ir um dia em que eu não estava lá e renovar o empréstimo. Resolvi então fazer uma reserva.

No outro dia, chegue até uma funcionária (diferente da anterior) e solicitei uma reserva para o livro. Eis que a funcionária me diz “qual o livro?”. Eu disse qual era o nome do livro, mas não era o nome que ela queria saber. Ela queria saber onde estava o livro. “Onde está o livro? Não sei, está emprestado” eu disse. Então a funcionária me dá um sorriso de lamentação e diz “desculpe, eu preciso do livro para fazer a reserva”.

Prestaram bem atenção nisso? Ela me disse que precisava do livro para fazer a reserva! Até onde eu sei, as pessoas reservam livros porque não estão com os livros. Se eu estou querendo fazer uma reserva, significa que eu não estou com o livro. Se eu estivesse com o livro, por que eu faria uma reserva? Por que eu reservaria algo do qual já tenho posse (ainda que provisória)?
Argumentei tudo isso para a funcionária e ela me disse que não podia fazer nada, pois precisava do código de barras que se encontra na contra-capa do livro para efetuar a reserva. Eu disse então que a reserva de livros era algo inútil, pois era impossível reservar assim. Dessa vez a funcionária não disse nada, apenas abriu os braços como quem dissesse “Só lamento”.

Parece mentira né? Pois é, isso tudo me aconteceu na Biblioteca Central do Gragoatá na UFF. Mas a história não para por aí. Já que era impossível reservar o livro, resolvi deixá-lo para lá e procurar outras referências bibliográficas. Procurei por outros livros na mesma biblioteca e acabei encontrando um interessante. Para minha sorte esse livro estava na estante. Assim, consegui pegá-lo sem problemas. Passada uma semana, eu ainda não tinha tido tempo de ler o livro todo. Fui até a biblioteca para renovar e sabem o que escutei? “Me desculpe, você não pode renovar porque há uma reserva para esse livro”. É mole???