Essa história aconteceu a cerca de três semanas atrás. Eu estava indo para casa, voltando de Niterói. É algo com o qual já me acostumei após 5 anos, mas nessa noite eu estava especialmente cansado. A única coisa que me passava pela cabeça era chegar logo em casa e dormir.
Quando eu cheguei na entrada de Caxias, observei ao longe uma Blitz da polícia. Eu sempre achei que as Blitz tem algo de contraditório. Vejam bem, a idéia da Blitz é justamente pegar o bandido de surpresa. O meliante está no seu carro, com drogas ou qualquer outra coisa que o comprometa e eis que de repente surge uma blitz e o pega desprevenido. Seria ótimo se isso funcionasse na prática, pois na verdade uma Blitz não pega ninguém de surpresa. Olhem o meu caso, eu devia estar a uns 300 metros de distância quando vi aquelas luzes da patrulha da polícia acesas. Ora, será que eles não poderiam pelo menos apagar aquela luz? Já cansei de ver carros dando a volta por cima de canteiros na Avenida Brasil quando há uma Blitz à frente. Acho que o jeito é fazer Blitz apenas na Linha Vermelha, pois lá não dá para voltar.
Bem, o fato é que quando me aproximei da Blitz, o policial olhou bem no meu rosto e me mandou parar. Puxa vida, justo hoje que eu estava doido para chegar logo em casa. Aquela Blitz sempre está ali no mesmo local (aliás esse é o outro fator que a faz perder o seu “elemento surpresa”) e raramente me para. Por que dessa vez? Pensei na Lei de Murphy, mas então, ao levar minha mão ao queixo, notei que não havia feito a barba. Meu professor de Banco de Dados diz que eu fico com cara de terrorista quando estou com a barba grande. É, talvez tenha sido que tenha feito o policial me parar. Quem sabe ele não achava que poderia encontrar uma bomba no meu carro?
“Quem não deve, não teme”, diz o ditado. Exatamente por isso eu estava tranqüilo. Já tinha renovado a carteira e o IPVA estava pago. O policial então me pediu minha habilitação. Enquanto ele averiguava, eu escutava a música do Jaspion (é isso mesmo, o fantástico Jaspion, herói japonês, lembram?). De repente, eis que o policial se vira para mim com cara de espanto. “Caramba, tem algo errado no documento” pensei. Para minha surpresa, ele olhou bem para o rádio do carro (curioso né? Se fosse uma TV até dava para entender, mas o rádio...) e me perguntou: “Essa música é do Jaspion?” “Sim”, respondi. “Que rádio toca isso”, perguntou ele ainda surpreso”. “Não é nenhuma rádio não, eu é que gravei o CD”, falei. Na mesma hora, eis que o policial recua, estica o braço me devolvendo a habilitação e diz: “pode ir, pode ir”. Eu saí de lá estranhando um tanto a atitude do policial e consegui ouvir ele comentando com o parceiro: “O cara tava ouvindo música do Jaspion!”.
Olha, eu já tinha percebido que os policias que fazem Blitz, em 90% dos casos param carros que estejam tocando algum Rap ou Funk. Se estiver alto então, é 100%. Agora, é a primeira vez que eu vejo liberarem alguém porque a pessoa estava ouvindo a música do Jaspion. Ou seja, se o cara está ouvindo Funk ou Rap, podem suspeitar dele. Mas se estiver ouvindo Jaspion, tenham certeza de que está limpo. A partir desse dia, aprendi duas coisas: a primeira é sempre ouvir músicas do Jaspion ao passar numa Blitz. A segunda é “diga-me o que escutas e te direi quem és”.
sexta-feira, 29 de outubro de 2004
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