sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

A Consulta Médica

Essa história aconteceu há poucos meses. Estava eu trabalhando quando meu amigo Wilson (com quem eu trabalho) disse que não estava se sentindo muito bem. Wilson então resolveu marcar uma consulta na hora do almoço em algum médico do Centro do Rio mesmo. Embora o Centro do Rio seja um lugar com muitos serviços, não foi tão fácil marcar a tal consulta. Afinal, hora do almoço é sagrada e médicos também se alimentam. Bem, foram uns 2 ou 3 telefonemas e a consulta foi marcada. O consultório médico ficava no edifício Darke...

Já andei inúmeras vezes no Centro e pude perceber que a maioria dos nomes dos edifícios ou é em homenagem a alguém ou reflete o tipo de serviço que é feito no local. E aí você pensa “por que esse nome ‘Darke’”? A primeira coisa que vem à cabeça é que deve ver algo sombrio no edifício (fazendo uma referência à palavra “Dark”, sombrio em inglês). E aí bate aquele receio de ir a um médico que atende num edifício sombrio. Será que o Dr. Jekill trabalha lá? Mas talvez o nome do edifício seja uma homenagem ao “Darkman”. Contudo, por que um médico atenderia num edifício cujo nome é uma homenagem a um personagem que teve o rosto desfigurado? Bom, deixando isso de lado, apesar do nome sombrio, até que foi fácil chegar ao local.

Tínhamos de ia ao décimo segundo andar, e subir escadas estando doente não é uma boa opção. Havia 4 elevadores disponíveis, mas uma coisa nos intrigou: nenhum deles parava no décimo segundo. Tinha um que parava no nono, no décimo, no décimo primeiro e no décimo terceiro. O que haveria de tão especial no décimo segundo andar para que nenhum elevador parasse lá? Estaria lá o motivo pelo qual o edifício se chama “Darke”? Precauções à parte, resolvemos dar uma de João-sem-braço e pegamos o elevador que parava no décimo terceiro.

Pedimos ao ascensorista para parar no décimo segundo, mas ele disse que aquele elevador não parava lá. Perguntamos qual que parava e ele disse que só havia um, mas não disse qual. Agora surgia outro mistério além do nome: que elevador parava no décimo segundo? O jeito foi parar no décimo terceiro e descer as escadas. Para nossa surpresa, não vimos nada de especial no décimo segundo andar. Foi até fácil achar o consultório.

Chegando lá, fiquei sentado esperando enquanto Wilson foi à secretária fazer o trabalho burocrático. A secretária fez todo aquele trabalho de praxe: perguntou endereço, plano de saúde, endereço, blá blá blá... Mas teve uma coisa que ela perguntou que não é muito comum de se ouvir: “Qual o motivo da sua vinda?” Ora, que motivo leva uma pessoa a ir ao médico? Bater papo, dizer “oi” ao doutor, jogar dominó? Ou a pessoa foi tratar uma doença ou então é um daqueles chatos representantes de plano de saúde (que, aliás, só aparecem quando a fila de espera está grande). Ou será que a secretária iria consultá-lo? Nessas horas é que dá saudade de Francisco Milani e “Seu Saraiva”... Bem, Wilson ficou um tanto surpreso com a pergunta e disse a resposta mais óbvia possível: “estou me sentindo mal”. Após satisfazer essa curiosidade da secretária, Wilson se sentou e esperou.

A espera foi curta e a consulta também. Wilson chegou a comentar que o médico nem olhou para ele direito. Só mediu pressão, fez perguntas e passou remédio. É natural as pessoas ficarem um tanto embasbacadas com esse tipo de consulta. Afinal, se pensarmos bem, para que “ir” ao médico para ser atendido dessa maneira? Bastaria medir a pressão em qualquer uma dessas máquinas de 50 centavos e se consultar por telefone depois. Enfim...

Na hora de ir embora, resolvemos descobrir o mistério do elevador. Apertamos o botão e ficamos esperando para ver qual pararia no décimo segundo andar. Passou um tempo e eis que veio o barulho “Bim”. Só que nenhum dos elevadores parou. Ainda estávamos esperando alguma porta se abrir quando escutamos uma voz dizer “desce”. Olhamos para trás e eis que no canto da parede oposta, havia um quinto elevador! Quando chegamos no térreo, vimos que o elevador ficava isolado num canto, bem à parte dos demais e com a cor se confundindo com a da parede. Era como uma passagem secreta no edifício.

Talvez esse elevador secreto seja o motivo do nome “Darke”. Se bem que um médico que não olha para o paciente também pode ser considerado sombrio, ou não? Pode ser que haja mais coisas sombrias. Quer saber? Acho que vou voltar lá para ver se o edifício ainda está no local...

Nenhum comentário: