Ressuscitando o Blog, vou contar um fato recente que ocorreu com um amigo meu. Como sempre faço, para não expô-lo, não vou me referir a ele pelo seu nome real. Assim, vou chamá-lo de Gilberto. A estação de metrô é um local onde acontecem vários fatos inusitados. Acho que daria para contar muitas histórias aqui sobre casos no Metrô, mas por enquanto vou ficar só nessa.
O serviço de metrô no Rio de Janeiro pode não ser nenhuma maravilha, mas também não deixa tanto a desejar. Pelo menos eu acho muito melhor do que pegar ônibus. Entretanto, é curioso o modo como algumas pessoas se comportam no metrô. Mesmo nos horários de pico, é difícil ver os trens chegarem em um intervalo superior a 10 minutos (o que já é muito). Mas ainda assim, as pessoas insistem em correr para pegar o metrô. Devido a isso já tive o desprazer de ver cenas lamentáveis como uma senhora cair de cara no chão ao tropeçar na escada rolante, um senhor idoso escorregar na escada e ainda derrubar um rapaz próximo... Isso sem contar nos que conseguem colocar o pé no vão entre o trem e a plataforma.
Sei lá, esse estilo de viver apressado, querer andar sempre na frente, deve ser coisa de carioca mesmo. É impressionante como a maioria das pessoas sempre espera o metrô no local exato onde a porta vai parar. Talvez para poder entrar com mais facilidade, já que nesse caso não precisa fazer força. E quando entram, continuam parados na porta para poder sair mais rápido. Eu fico com pena da pessoa do alto-falante que às vezes recomenda que se dê preferência ao trem seguinte que virá mais vazio. Quase sempre é ignorado.
Infelizmente esse lance de superlotação é um problema mesmo. Dependendo do horário, às vezes nem o trem extra vem vazio. E como aqui no Brasil sempre se dá solução-tampão para os problemas, para resolver a questão do incômodo das mulheres com vagões lotados, não criaram novos vagões (o que seria o mais óbvio). Em vez disso, reservaram vagões para elas (aliás, ta virando moda esse negócio de reservar aqui no Brasil). Bom, e é nessa história de pressa, lotação e reservas que Gilberto entra.
Já que todos estão com pressa no metrô, o estado de Gilberto naquela manhã poderia não chamar a atenção das demais pessoas. Mas Gilberto estava indo apresentar um produto em uma empresa na Glória e, com isso, ele estava realmente com pressa. Como a lei de Murphy não falha nunca, bastou Gilberto passar pela roleta para o metrô chegar na estação. Claro que ele tentou correr pela escada para pegá-lo a tempo, mas não conseguiu e teve de esperar pelo próximo. Nesse intervalo, eis que ele encontra um antigo colega na estação. Encontrar pessoas que não vemos há tempos é sempre um fato marcante. Durante meia hora temos muita coisa para conversar, depois vem o silêncio absoluto. Como o intervalo entre os trens é menor que meia hora, Gilberto não teve tempo de por toda a fofoca em dia que seu amigo (que por acaso iria pegar o trem no sentido oposto). Assim, o trem chegou no meio do papo. As portas já estavam abertas, mas Gilberto ainda teve tempo de anotar o telefone do amigo (questão de educação, até hoje ele não ligou) na mão e depois pulou para dentro do metrô como se fosse Indiana Jones saindo de um calabouço com a porta se fechando.
Já dentro do Metrô, Gilberto agradece pela sorte de ter conseguido um vagão vazio. Então, nota a presença de jovem garota ao seu lado. Sendo a garota dotada de uma beleza peculiar, Gilberto não tira os olhos dela. Até que o trem chega na outra estação. Gilberto ainda admirava a jovem quando de repente um dos seguranças do metrô para com os braços abertos em frente à porta e grita em sua direção: “Amigão, esse vagão é só para mulher, vai ter que descer”! Gilberto ficou atônito. Na pressa de entrar no vagão, nem reparou que era exclusivo para mulheres. Seu estado de choque era tão grande que ficou imóvel e calado. Estar ali já era vergonhoso, mas descer diante de todos seria pior ainda. Para sua surpresa, muitas senhoras que estavam no vagão saíram em sua defesa. Elas disseram ao segurança que Gilberto estava quieto, não estava incomodando ninguém e poderia ficar. Fazendo aquela cara de pena, o segurança resolveu deixar nosso amigo seguir viagem.
Ainda atordoado, Gilberto agradeceu o apoio dado. Mas ainda tentou se justificar dizendo que não tinha nada chamativo no trem que indicasse que era de mulheres. Bom, quem pega metrô no Rio sabe que os detalhes em cor-de-rosa nesses vagões são bem destacados, enfim...
E depois desse episódio lamentável, Gilberto chegou na empresa. Ainda estava meio tonto, mas resolveu esquecer. Afinal, todo mundo se engana e ninguém fez nenhum comentário que o deixasse mais para baixo. A apresentação que tinha de fazer ainda demorou um puco para começar e com isso ele teve tempo de se recuperar. Assim, Gilberto deixou tudo para lá e fez a apresentação de seu produto para uma equipe de funcionários da empresa. Ao final, perguntou a todos se alguém tinha alguma pergunta a fazer. Eis que uma mulher levanta a mão e diz: “Era você que estava no vagão de mulheres, não era?” Adivinhem agora quem foi motivo de risos e comentários ao longo daquele dia? Isso sem falar no restante das perguntas daquela apresentação....
quarta-feira, 13 de setembro de 2006
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