Olá meus amigos. Depois de muito tempo resolvi arrancar as teias de aranha do Blog. Na verdade, acho que em vez de arrancar, vou cortá-las, como vocês poderão ver mais adiante.
Desde que me entendo por gente, que é muito comum a gente ouvir piadinhas sobre a roupa que usamos. Na época de Contax, bastava eu colocar minha camisa de cor laranja para ser chamado de gari da Comlurb. Era impressionante: se dez vezes que eu colocasse a camisa, dez vezes eu ouviria a piada. Claro que esse não era um privilégio meu. Quando estava na UFRJ tive um colega que ganhou o imortal apelido de Grapette devido a uma blusa cuja cor vocês podem imaginar.
Enfim, ultimamente nós que moramos no Rio de Janeiro temos convivido com um certo friozinho. Comum nessa época do ano, mas não muito querido para muitos. O sol até aparecia, mas só para “carioca ver”. Quem me conhece há mais tempo sabe que nesses dias eu gosto de usar roupas pretas porque absorver mais calor e com isso esquentam mais. Eis que em um belo dia resolvi usar essa tática e vestir camisa e calça preta. Naturalmente, esse conjunto também tem suas piadas. Não era a primeira vez que eu o utilizava e já estava esperando os apelidos de sempre: cavaleiro negro, zorro, carrasco e por aí vai. Mas nesse dia, pela primeira vez escutei um novo. Ao sair de casa escuto o seguinte comentário: “você está parecendo um cabeleireiro da Coiffeur”. Como sempre, dei uma risada e segui meu caminho. Não imaginava que aquele comentário havia sido apenas o primeiro de muitos.
Cheguei à empresa e fiquei na fila dos elevadores. Um colega do trabalho chega, me cumprimenta e pergunta: “vai abrir um salão rapaz?” Não digo nada, apenas comento que ele não era o primeiro a dizer isso. Enquanto me dirigia para minha mesa, ouço outro colega no corredor comentar: “caramba, ta parecendo os caras do salão aonde minha esposa vai”. Confesso que aí já comecei a ficar impressionado. Nunca tinham comentado isso e agora já eram 3! Mas o pior ainda estava por vir...
Na hora do almoço, fui até o Infocentro ver o preço de algumas mercadorias. Ao entrar numa loja, vou até um vendedor que, com um sorriso sarcástico fala: “amigo, o salão é do outro lado”. Novamente não falo nada, apenas respondo um riso sem graça. Continuo entrando em várias lojas. Até que em uma, ao perguntar a um vendedor se um determinado produto estava disponível na loja, o mesmo me responde: “ah, tem sim, achei que você ia me pedir uma tesoura”. Caramba, agora já era demais! Até estranhos estavam fazendo piadas. Comecei a procurar o que eu tinha para estar causando essa reação. Não era a primeira vez eu usava essa roupa e pela primeira vez escutei essa piada e de várias pessoas diferentes no mesmo dia.
Mas o golpe de misericórdia viria quando eu voltasse ao trabalho. Ao chegar à minha mesa, percebo que o estagiário da tarde havia feito tranças no cabelo semelhantes às do jogador Wagner Love (apelido pelo qual ele sustentou enquanto suas tranças duraram). E aí, meu colega de setor chega perto de mim e pergunta: “você que fez essas tranças nele”? Eu já nem tinha mais resposta para ninguém. O jeito foi abstrair e esperar a hora de ir para casa.
No caminho de casa as piadas pararam. Como não encontrei no Infocentro o que eu havia ido buscar, resolvi dar uma passada na seção de informática do supermercado Extra. Uma menina me atende normalmente, mostra-me os dados dos produtos, preços, diferenças entre eles, etc. Então eu faço uma pergunta um pouco mais técnica e ela pede licença para consultar no computador. Ao olhar o próprio reflexo na tela do micro, eis que a menina se vira para mim e pergunta: “meu cabelo está muito bagunçado”? Chega né?
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
segunda-feira, 2 de outubro de 2006
Política na Banca de Jornal
Segunda-feira, 2 de outubro. No dia seguinte após as eleições, não havia outro assunto mais comentado que o pleito. E se há um lugar onde encontramos os comentários mais ecléticos, esse lugar é a banca de jornal. Hoje cedo, caminhando pelo Largo da Carioca, resolvi parar em uma banca para ler as manchetes. Cada jornal (com exceção dos jornais com tema específico, como os esportivos) tinha uma manchete com uma análise diferente em relação ao resultado. Enquanto eu lia, chegaram mais três pessoas que ao que parece se conheciam: um deles usava óculos e carregava um embrulho de jornal; o outro estava apenas de blusa branca, braços cruzados e cheios de pulseiras; do terceiro, só deu para ver que ele usava camiseta azul, pois ele entrou rápido na banca. Pouco depois, chegou um quarto homem trajando um terno preto.
Após algum tempo de leitura silenciosa, o homem das pulseiras, lendo a manchete de O DIA (que dizia “Voto de Paulista define a eleição”) resolve se manifestar:
_ Pô cara, ta vendo só? Por isso que odeio paulista...
Sem entender nada, o homem de óculos pergunta:
_ Por que cara?
_ Ah pô, por causa deles é que vai ter segundo turno. Eles que votaram no “Alque”.
_ Poxa, mas não foram só eles né? Teve muito Estado aí que não votou no Lula.
_ Eu sei cara, mas foi São Paulo que decidiu. Pode ver que eles foram os últimos a terminar. Eles ficaram esperando a parada terminar pra ajudar o “Alque”.
_ Que isso cara, tu acha que depois de todo mundo já ter votado eles mudaram os votos? Não dá para fazer isso não, “rapá”!
_ Ah, tu que acha que não? É ruim de não cara, o “Alque” é que manda lá em São Paulo. Se “neguinho” não arranjasse para ele lá ele passava o rodo em geral.
O cara de terno acompanhava a discussão com um leve sorriso de ironia. Mas então resolveu entrar na discussão apresentando as manchetes do GLOBO e do EXTRA, que se limitavam a dizer que haveria segundo turno.
_ Amigo, olha só: São Paulo acabou por último porque lá tem muita gente que vota. Olha os outros jornais, todos eles falam que o país ta dividido. Tem muita gente que não é de São Paulo que gosta do Alckmin.
Com isso, o cara das pulseiras resolve levar a discussão para um plano mais pessoal:
_ Tu votou no “Alque”, né?
_ Não, votei no Cristóvão – respondeu o cara do terno.
_ Poxa cara, Cristóvão? Se tu tivesse votado no Lula já tinha acabo esse troço.
_ Ué, a gente tem que votar em quem acha que é melhor, tá certo? – disse o homem do terno olhando para o de óculos.
_ Tá certo, e não foi só você que votou nele não, olha aqui – respondeu o de óculos apontando para alguns números no jornal.
O cara das pulseiras não se conformava e continuava apontando para a manchete de O DIA:
_ Rapá, isso não quer dizer nada, olha aqui. Foi São Paulo que zuou essa parada.
_ Amigo, olha os outros jornais – o homem do terno já estava perdendo a paciência – não é porque isso tá escrito aí que você vai achar que São Paulo sabotou a eleição. Não tem nada a ver, não foi só paulista que votou no Alckmin.
_ Cara, eu to falando o que ta escrito. Ta escrito aqui e acabou. Foi paulista que zuou a parada mesmo.
_ Poxa, mas se eles gostam do Alckmin é problema deles, ué?
_ Gostam nada, o cara é que mandou eles mudarem a parada lá quando viram que ia dar Lula.
_ Como é que vai mudar cara?
_ Só tu ler no jornal, pô. Um monte de gente não votou. Quando eles tão contando os votos, esse pessoal que não votou vai lá e vota no “Alque”.
_ Mas como cara??? Não dá para votar depois que acaba!
_ Ah, vocês que acham que não dá. Olha aí no jornal pô, um monte de fraude num monte de lugar.
O homem de terno e o de óculos já estavam com humor alterado. Continuavam apontando para os outros jornais para mostrar para o das pulseiras que outros Estados ajudaram Alckmin a ir para o segundo turno, apesar da maioria dos votos para o Tucano ter vindo de São Paulo. Eu, já afastado, achei que aquilo ainda duraria muito. Cada um apontava para um jornal diferente e apresentava seu argumento. Quando tudo apontava para uma longa discussão, eis que o cara de camiseta azul (que havia entrado na banca antes da discussão começar, lembra?) sai da banca com o Jornal dos Sports aberto e comenta?
_ Aí galera, Fla-Flu na quarta vai ser sinistro hein?
Após isso, fim de papo!
Após algum tempo de leitura silenciosa, o homem das pulseiras, lendo a manchete de O DIA (que dizia “Voto de Paulista define a eleição”) resolve se manifestar:
_ Pô cara, ta vendo só? Por isso que odeio paulista...
Sem entender nada, o homem de óculos pergunta:
_ Por que cara?
_ Ah pô, por causa deles é que vai ter segundo turno. Eles que votaram no “Alque”.
_ Poxa, mas não foram só eles né? Teve muito Estado aí que não votou no Lula.
_ Eu sei cara, mas foi São Paulo que decidiu. Pode ver que eles foram os últimos a terminar. Eles ficaram esperando a parada terminar pra ajudar o “Alque”.
_ Que isso cara, tu acha que depois de todo mundo já ter votado eles mudaram os votos? Não dá para fazer isso não, “rapá”!
_ Ah, tu que acha que não? É ruim de não cara, o “Alque” é que manda lá em São Paulo. Se “neguinho” não arranjasse para ele lá ele passava o rodo em geral.
O cara de terno acompanhava a discussão com um leve sorriso de ironia. Mas então resolveu entrar na discussão apresentando as manchetes do GLOBO e do EXTRA, que se limitavam a dizer que haveria segundo turno.
_ Amigo, olha só: São Paulo acabou por último porque lá tem muita gente que vota. Olha os outros jornais, todos eles falam que o país ta dividido. Tem muita gente que não é de São Paulo que gosta do Alckmin.
Com isso, o cara das pulseiras resolve levar a discussão para um plano mais pessoal:
_ Tu votou no “Alque”, né?
_ Não, votei no Cristóvão – respondeu o cara do terno.
_ Poxa cara, Cristóvão? Se tu tivesse votado no Lula já tinha acabo esse troço.
_ Ué, a gente tem que votar em quem acha que é melhor, tá certo? – disse o homem do terno olhando para o de óculos.
_ Tá certo, e não foi só você que votou nele não, olha aqui – respondeu o de óculos apontando para alguns números no jornal.
O cara das pulseiras não se conformava e continuava apontando para a manchete de O DIA:
_ Rapá, isso não quer dizer nada, olha aqui. Foi São Paulo que zuou essa parada.
_ Amigo, olha os outros jornais – o homem do terno já estava perdendo a paciência – não é porque isso tá escrito aí que você vai achar que São Paulo sabotou a eleição. Não tem nada a ver, não foi só paulista que votou no Alckmin.
_ Cara, eu to falando o que ta escrito. Ta escrito aqui e acabou. Foi paulista que zuou a parada mesmo.
_ Poxa, mas se eles gostam do Alckmin é problema deles, ué?
_ Gostam nada, o cara é que mandou eles mudarem a parada lá quando viram que ia dar Lula.
_ Como é que vai mudar cara?
_ Só tu ler no jornal, pô. Um monte de gente não votou. Quando eles tão contando os votos, esse pessoal que não votou vai lá e vota no “Alque”.
_ Mas como cara??? Não dá para votar depois que acaba!
_ Ah, vocês que acham que não dá. Olha aí no jornal pô, um monte de fraude num monte de lugar.
O homem de terno e o de óculos já estavam com humor alterado. Continuavam apontando para os outros jornais para mostrar para o das pulseiras que outros Estados ajudaram Alckmin a ir para o segundo turno, apesar da maioria dos votos para o Tucano ter vindo de São Paulo. Eu, já afastado, achei que aquilo ainda duraria muito. Cada um apontava para um jornal diferente e apresentava seu argumento. Quando tudo apontava para uma longa discussão, eis que o cara de camiseta azul (que havia entrado na banca antes da discussão começar, lembra?) sai da banca com o Jornal dos Sports aberto e comenta?
_ Aí galera, Fla-Flu na quarta vai ser sinistro hein?
Após isso, fim de papo!
quarta-feira, 13 de setembro de 2006
O Metrô
Ressuscitando o Blog, vou contar um fato recente que ocorreu com um amigo meu. Como sempre faço, para não expô-lo, não vou me referir a ele pelo seu nome real. Assim, vou chamá-lo de Gilberto. A estação de metrô é um local onde acontecem vários fatos inusitados. Acho que daria para contar muitas histórias aqui sobre casos no Metrô, mas por enquanto vou ficar só nessa.
O serviço de metrô no Rio de Janeiro pode não ser nenhuma maravilha, mas também não deixa tanto a desejar. Pelo menos eu acho muito melhor do que pegar ônibus. Entretanto, é curioso o modo como algumas pessoas se comportam no metrô. Mesmo nos horários de pico, é difícil ver os trens chegarem em um intervalo superior a 10 minutos (o que já é muito). Mas ainda assim, as pessoas insistem em correr para pegar o metrô. Devido a isso já tive o desprazer de ver cenas lamentáveis como uma senhora cair de cara no chão ao tropeçar na escada rolante, um senhor idoso escorregar na escada e ainda derrubar um rapaz próximo... Isso sem contar nos que conseguem colocar o pé no vão entre o trem e a plataforma.
Sei lá, esse estilo de viver apressado, querer andar sempre na frente, deve ser coisa de carioca mesmo. É impressionante como a maioria das pessoas sempre espera o metrô no local exato onde a porta vai parar. Talvez para poder entrar com mais facilidade, já que nesse caso não precisa fazer força. E quando entram, continuam parados na porta para poder sair mais rápido. Eu fico com pena da pessoa do alto-falante que às vezes recomenda que se dê preferência ao trem seguinte que virá mais vazio. Quase sempre é ignorado.
Infelizmente esse lance de superlotação é um problema mesmo. Dependendo do horário, às vezes nem o trem extra vem vazio. E como aqui no Brasil sempre se dá solução-tampão para os problemas, para resolver a questão do incômodo das mulheres com vagões lotados, não criaram novos vagões (o que seria o mais óbvio). Em vez disso, reservaram vagões para elas (aliás, ta virando moda esse negócio de reservar aqui no Brasil). Bom, e é nessa história de pressa, lotação e reservas que Gilberto entra.
Já que todos estão com pressa no metrô, o estado de Gilberto naquela manhã poderia não chamar a atenção das demais pessoas. Mas Gilberto estava indo apresentar um produto em uma empresa na Glória e, com isso, ele estava realmente com pressa. Como a lei de Murphy não falha nunca, bastou Gilberto passar pela roleta para o metrô chegar na estação. Claro que ele tentou correr pela escada para pegá-lo a tempo, mas não conseguiu e teve de esperar pelo próximo. Nesse intervalo, eis que ele encontra um antigo colega na estação. Encontrar pessoas que não vemos há tempos é sempre um fato marcante. Durante meia hora temos muita coisa para conversar, depois vem o silêncio absoluto. Como o intervalo entre os trens é menor que meia hora, Gilberto não teve tempo de por toda a fofoca em dia que seu amigo (que por acaso iria pegar o trem no sentido oposto). Assim, o trem chegou no meio do papo. As portas já estavam abertas, mas Gilberto ainda teve tempo de anotar o telefone do amigo (questão de educação, até hoje ele não ligou) na mão e depois pulou para dentro do metrô como se fosse Indiana Jones saindo de um calabouço com a porta se fechando.
Já dentro do Metrô, Gilberto agradece pela sorte de ter conseguido um vagão vazio. Então, nota a presença de jovem garota ao seu lado. Sendo a garota dotada de uma beleza peculiar, Gilberto não tira os olhos dela. Até que o trem chega na outra estação. Gilberto ainda admirava a jovem quando de repente um dos seguranças do metrô para com os braços abertos em frente à porta e grita em sua direção: “Amigão, esse vagão é só para mulher, vai ter que descer”! Gilberto ficou atônito. Na pressa de entrar no vagão, nem reparou que era exclusivo para mulheres. Seu estado de choque era tão grande que ficou imóvel e calado. Estar ali já era vergonhoso, mas descer diante de todos seria pior ainda. Para sua surpresa, muitas senhoras que estavam no vagão saíram em sua defesa. Elas disseram ao segurança que Gilberto estava quieto, não estava incomodando ninguém e poderia ficar. Fazendo aquela cara de pena, o segurança resolveu deixar nosso amigo seguir viagem.
Ainda atordoado, Gilberto agradeceu o apoio dado. Mas ainda tentou se justificar dizendo que não tinha nada chamativo no trem que indicasse que era de mulheres. Bom, quem pega metrô no Rio sabe que os detalhes em cor-de-rosa nesses vagões são bem destacados, enfim...
E depois desse episódio lamentável, Gilberto chegou na empresa. Ainda estava meio tonto, mas resolveu esquecer. Afinal, todo mundo se engana e ninguém fez nenhum comentário que o deixasse mais para baixo. A apresentação que tinha de fazer ainda demorou um puco para começar e com isso ele teve tempo de se recuperar. Assim, Gilberto deixou tudo para lá e fez a apresentação de seu produto para uma equipe de funcionários da empresa. Ao final, perguntou a todos se alguém tinha alguma pergunta a fazer. Eis que uma mulher levanta a mão e diz: “Era você que estava no vagão de mulheres, não era?” Adivinhem agora quem foi motivo de risos e comentários ao longo daquele dia? Isso sem falar no restante das perguntas daquela apresentação....
O serviço de metrô no Rio de Janeiro pode não ser nenhuma maravilha, mas também não deixa tanto a desejar. Pelo menos eu acho muito melhor do que pegar ônibus. Entretanto, é curioso o modo como algumas pessoas se comportam no metrô. Mesmo nos horários de pico, é difícil ver os trens chegarem em um intervalo superior a 10 minutos (o que já é muito). Mas ainda assim, as pessoas insistem em correr para pegar o metrô. Devido a isso já tive o desprazer de ver cenas lamentáveis como uma senhora cair de cara no chão ao tropeçar na escada rolante, um senhor idoso escorregar na escada e ainda derrubar um rapaz próximo... Isso sem contar nos que conseguem colocar o pé no vão entre o trem e a plataforma.
Sei lá, esse estilo de viver apressado, querer andar sempre na frente, deve ser coisa de carioca mesmo. É impressionante como a maioria das pessoas sempre espera o metrô no local exato onde a porta vai parar. Talvez para poder entrar com mais facilidade, já que nesse caso não precisa fazer força. E quando entram, continuam parados na porta para poder sair mais rápido. Eu fico com pena da pessoa do alto-falante que às vezes recomenda que se dê preferência ao trem seguinte que virá mais vazio. Quase sempre é ignorado.
Infelizmente esse lance de superlotação é um problema mesmo. Dependendo do horário, às vezes nem o trem extra vem vazio. E como aqui no Brasil sempre se dá solução-tampão para os problemas, para resolver a questão do incômodo das mulheres com vagões lotados, não criaram novos vagões (o que seria o mais óbvio). Em vez disso, reservaram vagões para elas (aliás, ta virando moda esse negócio de reservar aqui no Brasil). Bom, e é nessa história de pressa, lotação e reservas que Gilberto entra.
Já que todos estão com pressa no metrô, o estado de Gilberto naquela manhã poderia não chamar a atenção das demais pessoas. Mas Gilberto estava indo apresentar um produto em uma empresa na Glória e, com isso, ele estava realmente com pressa. Como a lei de Murphy não falha nunca, bastou Gilberto passar pela roleta para o metrô chegar na estação. Claro que ele tentou correr pela escada para pegá-lo a tempo, mas não conseguiu e teve de esperar pelo próximo. Nesse intervalo, eis que ele encontra um antigo colega na estação. Encontrar pessoas que não vemos há tempos é sempre um fato marcante. Durante meia hora temos muita coisa para conversar, depois vem o silêncio absoluto. Como o intervalo entre os trens é menor que meia hora, Gilberto não teve tempo de por toda a fofoca em dia que seu amigo (que por acaso iria pegar o trem no sentido oposto). Assim, o trem chegou no meio do papo. As portas já estavam abertas, mas Gilberto ainda teve tempo de anotar o telefone do amigo (questão de educação, até hoje ele não ligou) na mão e depois pulou para dentro do metrô como se fosse Indiana Jones saindo de um calabouço com a porta se fechando.
Já dentro do Metrô, Gilberto agradece pela sorte de ter conseguido um vagão vazio. Então, nota a presença de jovem garota ao seu lado. Sendo a garota dotada de uma beleza peculiar, Gilberto não tira os olhos dela. Até que o trem chega na outra estação. Gilberto ainda admirava a jovem quando de repente um dos seguranças do metrô para com os braços abertos em frente à porta e grita em sua direção: “Amigão, esse vagão é só para mulher, vai ter que descer”! Gilberto ficou atônito. Na pressa de entrar no vagão, nem reparou que era exclusivo para mulheres. Seu estado de choque era tão grande que ficou imóvel e calado. Estar ali já era vergonhoso, mas descer diante de todos seria pior ainda. Para sua surpresa, muitas senhoras que estavam no vagão saíram em sua defesa. Elas disseram ao segurança que Gilberto estava quieto, não estava incomodando ninguém e poderia ficar. Fazendo aquela cara de pena, o segurança resolveu deixar nosso amigo seguir viagem.
Ainda atordoado, Gilberto agradeceu o apoio dado. Mas ainda tentou se justificar dizendo que não tinha nada chamativo no trem que indicasse que era de mulheres. Bom, quem pega metrô no Rio sabe que os detalhes em cor-de-rosa nesses vagões são bem destacados, enfim...
E depois desse episódio lamentável, Gilberto chegou na empresa. Ainda estava meio tonto, mas resolveu esquecer. Afinal, todo mundo se engana e ninguém fez nenhum comentário que o deixasse mais para baixo. A apresentação que tinha de fazer ainda demorou um puco para começar e com isso ele teve tempo de se recuperar. Assim, Gilberto deixou tudo para lá e fez a apresentação de seu produto para uma equipe de funcionários da empresa. Ao final, perguntou a todos se alguém tinha alguma pergunta a fazer. Eis que uma mulher levanta a mão e diz: “Era você que estava no vagão de mulheres, não era?” Adivinhem agora quem foi motivo de risos e comentários ao longo daquele dia? Isso sem falar no restante das perguntas daquela apresentação....
segunda-feira, 27 de março de 2006
A Banca de Jornal
Quando eu estava na pré-aborrecência, tinha o costume de colecionar álbum de figurinhas. Acho que deve ter tido qualquer álbum lançado entre 1988 e 1995 que não fosse o famigerado “Amar é” ou algum da Xuxa (blargh!). Além disso, como sempre estudei na mesma escola durante todo o primeiro grau, acabei pegando o hábito de sempre comprar figurinhas na mesma banca que ficava próxima. Assim, acabei fazendo amizade com o dono da banca, o qual era conhecido apenas como Zé.
Quem nunca bateu um papo com um dono de banca de jornal, não sabe a quantidade de histórias que essa galera conta. Da sua simples banca, “seu” Zé observava todo o calçadão de Caxias e conversava com os mais variados tipos de pessoas. Havia até quem fosse desabafar com ele. Uma certa vez, eu nem pude comprar figurinhas porque “seu” Zé estava ocupado ouvindo um cara chorando porque a mulher o tinha deixado.
Enfim, o tempo passou, eu entrei no segundo grau e parei de colecionar figurinhas. Mas continuei lendo jornais e por isso, continuei freqüentando a banca do “seu” Zé. Como já me conhecia de longa data, “seu” Zé permitia que eu folheasse e lesse os jornais de esportes sem ter de pagar (é claro que eu lia na frente dele e devolvia depois). Assim, todos os dias, antes da aula começar, eu dava uma passadinha lá, dava uma folheada nos jornais e ainda batia um papo com “seu” Zé.
Foi então que num fatídico dia, estava eu folheando o jornal do sports enquanto “seu” Zé lia um outro, quando chegou o principal personagem desta história. O cara aparentava ter uns 25 anos, parecia estar nervoso, pois se aproximou da banca lentamente e esfregava muito uma mão na outra. Tremulando um pouco, ele perguntou ao seu “Zé”: “tem o último número da G Magazine?”. Eu continuei de cabeça baixa lendo o jornal para não deixar o coitado mais nervoso ainda. “Seu” Zé, profissionalmente, simplesmente disse que tinha e entregou a revista para o rapaz informando o preço. Ainda nervoso, o rapaz entregou o dinheiro e pegou a revista dizendo: “é que um primo meu que está lá em casa pediu para comprar para ele porque não conhece nada aqui”. Mantendo a postura profissional, “seu” Zé simplesmente disse “tá certo” e voltou a ler o jornal enquanto o trêmulo rapaz ia embora.
Aí a gente indaga o seguinte: poxa, ninguém perguntou nada para o cara, pra que ele ficou se justificando? Foi exatamente o que pensei na hora. É quase como uma confissão de culpa. Isso me lembra (meus amigos da UFF também devem lembrar) um professor que tive na UFF que volta e meia dizia na aula “eu não sou viado e vocês sabem disso”. Dava vontade de perguntar se alguém tinha dito que ele era.
Bom, o mico do cara já seria grande se ficasse só nisso. Mas eis que após se afastar um pouco da banca, o rapaz pára, olha para trás, ameaça voltar, desiste, pára de novo e enfim resolve voltar. Eu fiquei olhando tudo por cima do jornal um tanto surpreso, enquanto “seu” Zé continuava lendo sem perceber que o cara voltava. Quando ele chegou já foi dizendo: “olha, meu primo não mora comigo não tá? Ele só ta passando uns dias aqui”. “Seu” Zé permaneceu na mesma posição, manteve os braços esticados segurando o jornal. Apenas virou o pescoço, olhou para o cara com a expressão mais perplexa que vocês podem imaginar, ficou em silêncio uns 5 segundos e disse “tá bom amigo”. Então o cara fez sinal de OK com o polegar, balançou a cabeça e finalmente foi embora.
Depois disso eu não tive como conter a risada. Quando o cara já estava longe, “seu” Zé se levantou, pôs as mãos na cintura e ficou olhando o cara ir embora. Depois de um tempo, virou-se para mim e perguntou “será que esse tal primo é enrustido que nem ele?” Vai se saber né? De repente era até o primo dele que saiu na revista...
Quem nunca bateu um papo com um dono de banca de jornal, não sabe a quantidade de histórias que essa galera conta. Da sua simples banca, “seu” Zé observava todo o calçadão de Caxias e conversava com os mais variados tipos de pessoas. Havia até quem fosse desabafar com ele. Uma certa vez, eu nem pude comprar figurinhas porque “seu” Zé estava ocupado ouvindo um cara chorando porque a mulher o tinha deixado.
Enfim, o tempo passou, eu entrei no segundo grau e parei de colecionar figurinhas. Mas continuei lendo jornais e por isso, continuei freqüentando a banca do “seu” Zé. Como já me conhecia de longa data, “seu” Zé permitia que eu folheasse e lesse os jornais de esportes sem ter de pagar (é claro que eu lia na frente dele e devolvia depois). Assim, todos os dias, antes da aula começar, eu dava uma passadinha lá, dava uma folheada nos jornais e ainda batia um papo com “seu” Zé.
Foi então que num fatídico dia, estava eu folheando o jornal do sports enquanto “seu” Zé lia um outro, quando chegou o principal personagem desta história. O cara aparentava ter uns 25 anos, parecia estar nervoso, pois se aproximou da banca lentamente e esfregava muito uma mão na outra. Tremulando um pouco, ele perguntou ao seu “Zé”: “tem o último número da G Magazine?”. Eu continuei de cabeça baixa lendo o jornal para não deixar o coitado mais nervoso ainda. “Seu” Zé, profissionalmente, simplesmente disse que tinha e entregou a revista para o rapaz informando o preço. Ainda nervoso, o rapaz entregou o dinheiro e pegou a revista dizendo: “é que um primo meu que está lá em casa pediu para comprar para ele porque não conhece nada aqui”. Mantendo a postura profissional, “seu” Zé simplesmente disse “tá certo” e voltou a ler o jornal enquanto o trêmulo rapaz ia embora.
Aí a gente indaga o seguinte: poxa, ninguém perguntou nada para o cara, pra que ele ficou se justificando? Foi exatamente o que pensei na hora. É quase como uma confissão de culpa. Isso me lembra (meus amigos da UFF também devem lembrar) um professor que tive na UFF que volta e meia dizia na aula “eu não sou viado e vocês sabem disso”. Dava vontade de perguntar se alguém tinha dito que ele era.
Bom, o mico do cara já seria grande se ficasse só nisso. Mas eis que após se afastar um pouco da banca, o rapaz pára, olha para trás, ameaça voltar, desiste, pára de novo e enfim resolve voltar. Eu fiquei olhando tudo por cima do jornal um tanto surpreso, enquanto “seu” Zé continuava lendo sem perceber que o cara voltava. Quando ele chegou já foi dizendo: “olha, meu primo não mora comigo não tá? Ele só ta passando uns dias aqui”. “Seu” Zé permaneceu na mesma posição, manteve os braços esticados segurando o jornal. Apenas virou o pescoço, olhou para o cara com a expressão mais perplexa que vocês podem imaginar, ficou em silêncio uns 5 segundos e disse “tá bom amigo”. Então o cara fez sinal de OK com o polegar, balançou a cabeça e finalmente foi embora.
Depois disso eu não tive como conter a risada. Quando o cara já estava longe, “seu” Zé se levantou, pôs as mãos na cintura e ficou olhando o cara ir embora. Depois de um tempo, virou-se para mim e perguntou “será que esse tal primo é enrustido que nem ele?” Vai se saber né? De repente era até o primo dele que saiu na revista...
sexta-feira, 2 de dezembro de 2005
A Consulta Médica
Essa história aconteceu há poucos meses. Estava eu trabalhando quando meu amigo Wilson (com quem eu trabalho) disse que não estava se sentindo muito bem. Wilson então resolveu marcar uma consulta na hora do almoço em algum médico do Centro do Rio mesmo. Embora o Centro do Rio seja um lugar com muitos serviços, não foi tão fácil marcar a tal consulta. Afinal, hora do almoço é sagrada e médicos também se alimentam. Bem, foram uns 2 ou 3 telefonemas e a consulta foi marcada. O consultório médico ficava no edifício Darke...
Já andei inúmeras vezes no Centro e pude perceber que a maioria dos nomes dos edifícios ou é em homenagem a alguém ou reflete o tipo de serviço que é feito no local. E aí você pensa “por que esse nome ‘Darke’”? A primeira coisa que vem à cabeça é que deve ver algo sombrio no edifício (fazendo uma referência à palavra “Dark”, sombrio em inglês). E aí bate aquele receio de ir a um médico que atende num edifício sombrio. Será que o Dr. Jekill trabalha lá? Mas talvez o nome do edifício seja uma homenagem ao “Darkman”. Contudo, por que um médico atenderia num edifício cujo nome é uma homenagem a um personagem que teve o rosto desfigurado? Bom, deixando isso de lado, apesar do nome sombrio, até que foi fácil chegar ao local.
Tínhamos de ia ao décimo segundo andar, e subir escadas estando doente não é uma boa opção. Havia 4 elevadores disponíveis, mas uma coisa nos intrigou: nenhum deles parava no décimo segundo. Tinha um que parava no nono, no décimo, no décimo primeiro e no décimo terceiro. O que haveria de tão especial no décimo segundo andar para que nenhum elevador parasse lá? Estaria lá o motivo pelo qual o edifício se chama “Darke”? Precauções à parte, resolvemos dar uma de João-sem-braço e pegamos o elevador que parava no décimo terceiro.
Pedimos ao ascensorista para parar no décimo segundo, mas ele disse que aquele elevador não parava lá. Perguntamos qual que parava e ele disse que só havia um, mas não disse qual. Agora surgia outro mistério além do nome: que elevador parava no décimo segundo? O jeito foi parar no décimo terceiro e descer as escadas. Para nossa surpresa, não vimos nada de especial no décimo segundo andar. Foi até fácil achar o consultório.
Chegando lá, fiquei sentado esperando enquanto Wilson foi à secretária fazer o trabalho burocrático. A secretária fez todo aquele trabalho de praxe: perguntou endereço, plano de saúde, endereço, blá blá blá... Mas teve uma coisa que ela perguntou que não é muito comum de se ouvir: “Qual o motivo da sua vinda?” Ora, que motivo leva uma pessoa a ir ao médico? Bater papo, dizer “oi” ao doutor, jogar dominó? Ou a pessoa foi tratar uma doença ou então é um daqueles chatos representantes de plano de saúde (que, aliás, só aparecem quando a fila de espera está grande). Ou será que a secretária iria consultá-lo? Nessas horas é que dá saudade de Francisco Milani e “Seu Saraiva”... Bem, Wilson ficou um tanto surpreso com a pergunta e disse a resposta mais óbvia possível: “estou me sentindo mal”. Após satisfazer essa curiosidade da secretária, Wilson se sentou e esperou.
A espera foi curta e a consulta também. Wilson chegou a comentar que o médico nem olhou para ele direito. Só mediu pressão, fez perguntas e passou remédio. É natural as pessoas ficarem um tanto embasbacadas com esse tipo de consulta. Afinal, se pensarmos bem, para que “ir” ao médico para ser atendido dessa maneira? Bastaria medir a pressão em qualquer uma dessas máquinas de 50 centavos e se consultar por telefone depois. Enfim...
Na hora de ir embora, resolvemos descobrir o mistério do elevador. Apertamos o botão e ficamos esperando para ver qual pararia no décimo segundo andar. Passou um tempo e eis que veio o barulho “Bim”. Só que nenhum dos elevadores parou. Ainda estávamos esperando alguma porta se abrir quando escutamos uma voz dizer “desce”. Olhamos para trás e eis que no canto da parede oposta, havia um quinto elevador! Quando chegamos no térreo, vimos que o elevador ficava isolado num canto, bem à parte dos demais e com a cor se confundindo com a da parede. Era como uma passagem secreta no edifício.
Talvez esse elevador secreto seja o motivo do nome “Darke”. Se bem que um médico que não olha para o paciente também pode ser considerado sombrio, ou não? Pode ser que haja mais coisas sombrias. Quer saber? Acho que vou voltar lá para ver se o edifício ainda está no local...
Já andei inúmeras vezes no Centro e pude perceber que a maioria dos nomes dos edifícios ou é em homenagem a alguém ou reflete o tipo de serviço que é feito no local. E aí você pensa “por que esse nome ‘Darke’”? A primeira coisa que vem à cabeça é que deve ver algo sombrio no edifício (fazendo uma referência à palavra “Dark”, sombrio em inglês). E aí bate aquele receio de ir a um médico que atende num edifício sombrio. Será que o Dr. Jekill trabalha lá? Mas talvez o nome do edifício seja uma homenagem ao “Darkman”. Contudo, por que um médico atenderia num edifício cujo nome é uma homenagem a um personagem que teve o rosto desfigurado? Bom, deixando isso de lado, apesar do nome sombrio, até que foi fácil chegar ao local.
Tínhamos de ia ao décimo segundo andar, e subir escadas estando doente não é uma boa opção. Havia 4 elevadores disponíveis, mas uma coisa nos intrigou: nenhum deles parava no décimo segundo. Tinha um que parava no nono, no décimo, no décimo primeiro e no décimo terceiro. O que haveria de tão especial no décimo segundo andar para que nenhum elevador parasse lá? Estaria lá o motivo pelo qual o edifício se chama “Darke”? Precauções à parte, resolvemos dar uma de João-sem-braço e pegamos o elevador que parava no décimo terceiro.
Pedimos ao ascensorista para parar no décimo segundo, mas ele disse que aquele elevador não parava lá. Perguntamos qual que parava e ele disse que só havia um, mas não disse qual. Agora surgia outro mistério além do nome: que elevador parava no décimo segundo? O jeito foi parar no décimo terceiro e descer as escadas. Para nossa surpresa, não vimos nada de especial no décimo segundo andar. Foi até fácil achar o consultório.
Chegando lá, fiquei sentado esperando enquanto Wilson foi à secretária fazer o trabalho burocrático. A secretária fez todo aquele trabalho de praxe: perguntou endereço, plano de saúde, endereço, blá blá blá... Mas teve uma coisa que ela perguntou que não é muito comum de se ouvir: “Qual o motivo da sua vinda?” Ora, que motivo leva uma pessoa a ir ao médico? Bater papo, dizer “oi” ao doutor, jogar dominó? Ou a pessoa foi tratar uma doença ou então é um daqueles chatos representantes de plano de saúde (que, aliás, só aparecem quando a fila de espera está grande). Ou será que a secretária iria consultá-lo? Nessas horas é que dá saudade de Francisco Milani e “Seu Saraiva”... Bem, Wilson ficou um tanto surpreso com a pergunta e disse a resposta mais óbvia possível: “estou me sentindo mal”. Após satisfazer essa curiosidade da secretária, Wilson se sentou e esperou.
A espera foi curta e a consulta também. Wilson chegou a comentar que o médico nem olhou para ele direito. Só mediu pressão, fez perguntas e passou remédio. É natural as pessoas ficarem um tanto embasbacadas com esse tipo de consulta. Afinal, se pensarmos bem, para que “ir” ao médico para ser atendido dessa maneira? Bastaria medir a pressão em qualquer uma dessas máquinas de 50 centavos e se consultar por telefone depois. Enfim...
Na hora de ir embora, resolvemos descobrir o mistério do elevador. Apertamos o botão e ficamos esperando para ver qual pararia no décimo segundo andar. Passou um tempo e eis que veio o barulho “Bim”. Só que nenhum dos elevadores parou. Ainda estávamos esperando alguma porta se abrir quando escutamos uma voz dizer “desce”. Olhamos para trás e eis que no canto da parede oposta, havia um quinto elevador! Quando chegamos no térreo, vimos que o elevador ficava isolado num canto, bem à parte dos demais e com a cor se confundindo com a da parede. Era como uma passagem secreta no edifício.
Talvez esse elevador secreto seja o motivo do nome “Darke”. Se bem que um médico que não olha para o paciente também pode ser considerado sombrio, ou não? Pode ser que haja mais coisas sombrias. Quer saber? Acho que vou voltar lá para ver se o edifício ainda está no local...
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005
O Final de Festa
Aquela era para ser uma sexta-feira comum. Estudar de manhã, ir para casa, dar uma volta à noite e depois dormir. Quando eu estava voltando para casa, encontrei um colega que me chamou para ir a uma festa. Ele disse que a garota que ele tinha convidado não iria mais e que ir sozinho não tinha graça. Perguntei por que ele não ficava em casa então, mas ele disse que se ficasse tinha que tomar conta da irmã pequena. Ora essa, se o negócio era só sair de casa, por que então não ir a um outro lugar qualquer em vez de uma festa que tava na cara que ele não estava tão a fim de ir? Ele argumentou que da festa dos pais já sabiam, se falasse que ia para outro lugar poderia soar como invenção e blá blá blá... Enfim, como eu dificilmente recuso uma festa com churrasco acabei indo.
Enquanto caminhávamos para a local da festa, notei que iríamos para uma rua que mais parecia um beco. Cheguei a pensar que seria uma festa barra pesada. No entanto, qual não foi a minha surpresa ao ver que tinha um salão de festas no local. Entretanto, era algo meio desproporcional. O salão era bem grande, mas a rua (sem saída) era um beco mesmo. Estreita, de mão única (se é que se pode chamar um beco sem saída de mão única) e com vários carros estacionados em cima da calçada. E o pior é que chovia, aumentando mais a confusão na rua. Entrar no salão foi quase uma corrida com obstáculos.
Ao pisar no salão, me arrependi de ter vindo. Era festa de 18 anos de um tal de Ricardo, mas parecia até festa de 15 anos de mulher. Só tinha aqueles pingados de comida nos pratos, o aniversariante parecia até um príncipe de debutante e tinha até valsa! Parecia que tinham planejado uma festa de 15 anos para alguma garota, a festa não houve e resolveram aproveitá-la para aquele cara. E o pior era estar num lugar onde não se conhecia ninguém. Todo mundo olhava para a gente como se fôssemos estranhos (e éramos mesmo). Só então resolvi perguntar ao meu amigo de onde ele conhecia o aniversariante e foi aí que ele me disse que tinha estudado com o cara há uns 5 anos antes. Perguntei se ainda mantinham contato, mas ele disse que não. Apenas encontrou o cara numa lotérica e foi convidado para a festa. Que ótimo hein?
Enfim, tudo acontecia no clima mais tedioso possível até que o aniversariante sumiu. Todos perguntavam por ele e nada. Até que ele voltou com a mão na barriga, com cara de enterro e amparado por um parente. Disseram que havia sido apenas uma indisposição intestinal. Imagina só: você está numa festa, comendo e de repente o aniversariante aparece com dor de barriga! Fica meio temeroso continuar comendo né? Ficou um clima péssimo na festa, todos os convidados super sem-graça. Vendo que a festa tinha esfriado, o pai do aniversariante sugere a todos que o bolo seja cortado (sinal de festa encerrando né?). Bolo? Fala sério que eu ia comer aquele bolo! Nem era conhecido de ninguém mesmo. Fui embora e percebi que outras pessoas haviam feito o mesmo.
Do lado de fora estava uma confusão incrível. Parecia o centro do Rio às 5 da tarde. Buzinas, pessoas gritando e carros para tudo que era lado. A maioria das pessoas (inclusive eu) resolveu ficar parada em frente ao salão esperando a confusão diminuir (o que foi acontecendo aos poucos). Até que de repente, alguém observou a seguinte cena: um casal de namorados entrou no carro. A namorada tentou beijar o cara no carro e ele rejeitou empurrando a garota com as duas mãos e dizendo “sai”. Foi aí que alguém no meio da multidão gritou: “ih, o cara é a maior bicha!” Então toda a multidão começou a gritar: “BICHA! BICHA! BICHA!” Parecia uma manifestação. As pessoas então cercaram o carro do cara e começaram a sacudi-lo. Exceto pelos gritos de BICHA, pareciam fãs cercando o carro de um ídolo.
O cara no carro estava bem irritado e a namorada escondia o rosto com as mãos. O carro dele começou a andar devagar tentando escapar da multidão que continuava os gritos: BICHA, BICHA, BICHA! Quanto mais o cara xingava as pessoas, mais fortes eram os gritos. Até que ele finalmente conseguiu escapar da multidão, arrancou forte com o carro e virou a esquina. Só que a rua era um beco estreito, difícil de fazer curva em alta velocidade. Assim, ao virar a curva, ouvimos um barulho de batida. Todo mundo correu para ver o que tinha sido e vimos que o carro tinha batido num poste. Não havia sido uma batida grave, pegou meio de quina e só amassou mesmo um pouco da frente do carro. Nem o cara nem a namorada sofreram. Entretanto, a reação da multidão foi bem surpreendente: imaginem o grito de GOL de uma torcida no Maracanã. Foi assim que foi o grito de ÊÊÊÊÊÊÊÊ da multidão ao ver o carro batido! E recomeçaram, ainda mais fortes, os gritos: BICHA, BICHA, BICHA, BICHA! A namorada do cara saiu do carro e não sei para onde foi, ao passo que ele apenas abaixou a cabeça no volante e lá ficou imóvel.
O tempo passava e a multidão não se continha nos gritos. Até que de repente chegou a polícia (talvez a namorada tenha chamado). Finalmente os gritos de bicha pararam. O policial conversou com o cara, perguntou a algumas pessoas como tudo tinha ocorrido e foram embora para a delegacia junto com o acidentado. Quando as portas da viatura fecharam, voltaram os gritos: BICHA, BICHA, BICHA! Para uma festa tediosa, até que o final foi bem movimentado. Nessa hora me lembrei de uma frase do Chaves: o cara que bateu podia até não ser Bicha por opção, mas agora era por maioria de votos. Espero que ele não tenha comido aquele bolo também. Ser chamado de Cagão era a última coisa que ele precisava agora...
Enquanto caminhávamos para a local da festa, notei que iríamos para uma rua que mais parecia um beco. Cheguei a pensar que seria uma festa barra pesada. No entanto, qual não foi a minha surpresa ao ver que tinha um salão de festas no local. Entretanto, era algo meio desproporcional. O salão era bem grande, mas a rua (sem saída) era um beco mesmo. Estreita, de mão única (se é que se pode chamar um beco sem saída de mão única) e com vários carros estacionados em cima da calçada. E o pior é que chovia, aumentando mais a confusão na rua. Entrar no salão foi quase uma corrida com obstáculos.
Ao pisar no salão, me arrependi de ter vindo. Era festa de 18 anos de um tal de Ricardo, mas parecia até festa de 15 anos de mulher. Só tinha aqueles pingados de comida nos pratos, o aniversariante parecia até um príncipe de debutante e tinha até valsa! Parecia que tinham planejado uma festa de 15 anos para alguma garota, a festa não houve e resolveram aproveitá-la para aquele cara. E o pior era estar num lugar onde não se conhecia ninguém. Todo mundo olhava para a gente como se fôssemos estranhos (e éramos mesmo). Só então resolvi perguntar ao meu amigo de onde ele conhecia o aniversariante e foi aí que ele me disse que tinha estudado com o cara há uns 5 anos antes. Perguntei se ainda mantinham contato, mas ele disse que não. Apenas encontrou o cara numa lotérica e foi convidado para a festa. Que ótimo hein?
Enfim, tudo acontecia no clima mais tedioso possível até que o aniversariante sumiu. Todos perguntavam por ele e nada. Até que ele voltou com a mão na barriga, com cara de enterro e amparado por um parente. Disseram que havia sido apenas uma indisposição intestinal. Imagina só: você está numa festa, comendo e de repente o aniversariante aparece com dor de barriga! Fica meio temeroso continuar comendo né? Ficou um clima péssimo na festa, todos os convidados super sem-graça. Vendo que a festa tinha esfriado, o pai do aniversariante sugere a todos que o bolo seja cortado (sinal de festa encerrando né?). Bolo? Fala sério que eu ia comer aquele bolo! Nem era conhecido de ninguém mesmo. Fui embora e percebi que outras pessoas haviam feito o mesmo.
Do lado de fora estava uma confusão incrível. Parecia o centro do Rio às 5 da tarde. Buzinas, pessoas gritando e carros para tudo que era lado. A maioria das pessoas (inclusive eu) resolveu ficar parada em frente ao salão esperando a confusão diminuir (o que foi acontecendo aos poucos). Até que de repente, alguém observou a seguinte cena: um casal de namorados entrou no carro. A namorada tentou beijar o cara no carro e ele rejeitou empurrando a garota com as duas mãos e dizendo “sai”. Foi aí que alguém no meio da multidão gritou: “ih, o cara é a maior bicha!” Então toda a multidão começou a gritar: “BICHA! BICHA! BICHA!” Parecia uma manifestação. As pessoas então cercaram o carro do cara e começaram a sacudi-lo. Exceto pelos gritos de BICHA, pareciam fãs cercando o carro de um ídolo.
O cara no carro estava bem irritado e a namorada escondia o rosto com as mãos. O carro dele começou a andar devagar tentando escapar da multidão que continuava os gritos: BICHA, BICHA, BICHA! Quanto mais o cara xingava as pessoas, mais fortes eram os gritos. Até que ele finalmente conseguiu escapar da multidão, arrancou forte com o carro e virou a esquina. Só que a rua era um beco estreito, difícil de fazer curva em alta velocidade. Assim, ao virar a curva, ouvimos um barulho de batida. Todo mundo correu para ver o que tinha sido e vimos que o carro tinha batido num poste. Não havia sido uma batida grave, pegou meio de quina e só amassou mesmo um pouco da frente do carro. Nem o cara nem a namorada sofreram. Entretanto, a reação da multidão foi bem surpreendente: imaginem o grito de GOL de uma torcida no Maracanã. Foi assim que foi o grito de ÊÊÊÊÊÊÊÊ da multidão ao ver o carro batido! E recomeçaram, ainda mais fortes, os gritos: BICHA, BICHA, BICHA, BICHA! A namorada do cara saiu do carro e não sei para onde foi, ao passo que ele apenas abaixou a cabeça no volante e lá ficou imóvel.
O tempo passava e a multidão não se continha nos gritos. Até que de repente chegou a polícia (talvez a namorada tenha chamado). Finalmente os gritos de bicha pararam. O policial conversou com o cara, perguntou a algumas pessoas como tudo tinha ocorrido e foram embora para a delegacia junto com o acidentado. Quando as portas da viatura fecharam, voltaram os gritos: BICHA, BICHA, BICHA! Para uma festa tediosa, até que o final foi bem movimentado. Nessa hora me lembrei de uma frase do Chaves: o cara que bateu podia até não ser Bicha por opção, mas agora era por maioria de votos. Espero que ele não tenha comido aquele bolo também. Ser chamado de Cagão era a última coisa que ele precisava agora...
quinta-feira, 30 de dezembro de 2004
O Pão Duro
O principal personagem dessa história é um velho amigo meu chamado Jéferson. Alguns colegas meus acham que sou meio pão-duro, mas depois de lerem isso acredito que mudem de opinião. Eu poderia escrever várias histórias sobre a sovinice de meu amigo, mas vou contar apenas um breve caso de uma noite.
Era um dia de sábado e eu havia combinado com uns amigos (entre ele o Jéferson) de irmos juntos ao cinema à noite. Quando se sai com amigos sempre há aquela cerimônia de telefonemas que antecedem a saída. São ligações com mensagens bem curtas, são alguns “E aí, vai?”, “Vou”, “Onde?”, “Ta tudo certo?”, “No mesmo lugar?”, enfim...
Alguns de meus colegas iam com as namoradas. Uns encontravam o grupo antes de ir buscá-las, outros já chegavam no cinema com elas. Entre os que iam com namorada estava o Jéferson. Mas curiosamente ele estava na porta do cinema sem ela. Todos nós então achamos que ela ainda iria chegar então ficamos parados na porta esperando. Isso era bem típico do jeito sovina do Jéferson. Não buscava a namorada para não ter que pagar passagem para ela ou coisa assim. Depois descobriríamos que era algo pior ainda.
Foi aí que Jéferson virou e perguntou se estávamos esperando mais alguém. Ficamos meio sem graça e perguntamos se a namorada dele não viria. Ele disse que sim e que ela já estava lá dentro da sala do cinema! Não dava para acreditar. Ele tinha marcado com ela dentro do cinema só para não correr o risco de pagar a entrada para ela. E ainda dava para ela a desculpa que preferia assim porque não gostava que ela ficasse parada na porta! O pior foi ver o cinismo dele contando as fileiras do cinema dizendo que havia marcado com ela na quarta fileira de cima para baixo. E lá estava a santa namorada dele. E com várias bolsas e sacolas marcando lugares. Que santa...
Bem, passado isso o filme começou. Cheguei a sugerir, sarcasticamente, ao Jéferson comprarmos alguns sacos de pipoca, mas ele me respondeu com um sutil vai a m. Mas após o término do filme já não dava para disfarçar a fome. Algumas barrigas já roncavam e a namorada de Jéferson já estava com os olhos no fundo. Foi aí que ela virou e disse que estava com fome. Então, meu querido amigo Jéferson disse a seguinte frase: “ainda bem que jantei antes de sair de casa”. Aquilo foi inacreditável, um choque para todos que observavam e escutavam. Como é que Jéferson poderia ir tão longe? Eu não sabia se me indignava ou se achava graça da cara que ele fez. Então meu amigo Carlos teve a brilhante idéia de todos racharmos uma pizza gigante. Ficamos um pouco receosos com o que Jéferson poderia dizer, mas ele aceitou. Mas é claro que na hora de pagar a pizza ninguém se atreveu a pedir a ele que contribuísse. “A idéia foi de vocês”, teria dito ele.
E essa foi a desastrosa noite. Durante vários momentos alguns colegas ficava cochichando sobre o cara-de-pau do Jéferson. Mas só que não acabou por aí. Na hora de ir embora, Carlos perguntou se era melhor pegarmos um ônibus ou racharmos um táxi. Sabem o que Jéferson disse? “Ah, a noite está tão bonita? Por que não vamos a pé?” Acho que na hora que ele deu a mão para a namorada foi o único momento da noite em que a mão dele abriu...
Era um dia de sábado e eu havia combinado com uns amigos (entre ele o Jéferson) de irmos juntos ao cinema à noite. Quando se sai com amigos sempre há aquela cerimônia de telefonemas que antecedem a saída. São ligações com mensagens bem curtas, são alguns “E aí, vai?”, “Vou”, “Onde?”, “Ta tudo certo?”, “No mesmo lugar?”, enfim...
Alguns de meus colegas iam com as namoradas. Uns encontravam o grupo antes de ir buscá-las, outros já chegavam no cinema com elas. Entre os que iam com namorada estava o Jéferson. Mas curiosamente ele estava na porta do cinema sem ela. Todos nós então achamos que ela ainda iria chegar então ficamos parados na porta esperando. Isso era bem típico do jeito sovina do Jéferson. Não buscava a namorada para não ter que pagar passagem para ela ou coisa assim. Depois descobriríamos que era algo pior ainda.
Foi aí que Jéferson virou e perguntou se estávamos esperando mais alguém. Ficamos meio sem graça e perguntamos se a namorada dele não viria. Ele disse que sim e que ela já estava lá dentro da sala do cinema! Não dava para acreditar. Ele tinha marcado com ela dentro do cinema só para não correr o risco de pagar a entrada para ela. E ainda dava para ela a desculpa que preferia assim porque não gostava que ela ficasse parada na porta! O pior foi ver o cinismo dele contando as fileiras do cinema dizendo que havia marcado com ela na quarta fileira de cima para baixo. E lá estava a santa namorada dele. E com várias bolsas e sacolas marcando lugares. Que santa...
Bem, passado isso o filme começou. Cheguei a sugerir, sarcasticamente, ao Jéferson comprarmos alguns sacos de pipoca, mas ele me respondeu com um sutil vai a m. Mas após o término do filme já não dava para disfarçar a fome. Algumas barrigas já roncavam e a namorada de Jéferson já estava com os olhos no fundo. Foi aí que ela virou e disse que estava com fome. Então, meu querido amigo Jéferson disse a seguinte frase: “ainda bem que jantei antes de sair de casa”. Aquilo foi inacreditável, um choque para todos que observavam e escutavam. Como é que Jéferson poderia ir tão longe? Eu não sabia se me indignava ou se achava graça da cara que ele fez. Então meu amigo Carlos teve a brilhante idéia de todos racharmos uma pizza gigante. Ficamos um pouco receosos com o que Jéferson poderia dizer, mas ele aceitou. Mas é claro que na hora de pagar a pizza ninguém se atreveu a pedir a ele que contribuísse. “A idéia foi de vocês”, teria dito ele.
E essa foi a desastrosa noite. Durante vários momentos alguns colegas ficava cochichando sobre o cara-de-pau do Jéferson. Mas só que não acabou por aí. Na hora de ir embora, Carlos perguntou se era melhor pegarmos um ônibus ou racharmos um táxi. Sabem o que Jéferson disse? “Ah, a noite está tão bonita? Por que não vamos a pé?” Acho que na hora que ele deu a mão para a namorada foi o único momento da noite em que a mão dele abriu...
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