O principal personagem dessa história é um velho amigo meu chamado Jéferson. Alguns colegas meus acham que sou meio pão-duro, mas depois de lerem isso acredito que mudem de opinião. Eu poderia escrever várias histórias sobre a sovinice de meu amigo, mas vou contar apenas um breve caso de uma noite.
Era um dia de sábado e eu havia combinado com uns amigos (entre ele o Jéferson) de irmos juntos ao cinema à noite. Quando se sai com amigos sempre há aquela cerimônia de telefonemas que antecedem a saída. São ligações com mensagens bem curtas, são alguns “E aí, vai?”, “Vou”, “Onde?”, “Ta tudo certo?”, “No mesmo lugar?”, enfim...
Alguns de meus colegas iam com as namoradas. Uns encontravam o grupo antes de ir buscá-las, outros já chegavam no cinema com elas. Entre os que iam com namorada estava o Jéferson. Mas curiosamente ele estava na porta do cinema sem ela. Todos nós então achamos que ela ainda iria chegar então ficamos parados na porta esperando. Isso era bem típico do jeito sovina do Jéferson. Não buscava a namorada para não ter que pagar passagem para ela ou coisa assim. Depois descobriríamos que era algo pior ainda.
Foi aí que Jéferson virou e perguntou se estávamos esperando mais alguém. Ficamos meio sem graça e perguntamos se a namorada dele não viria. Ele disse que sim e que ela já estava lá dentro da sala do cinema! Não dava para acreditar. Ele tinha marcado com ela dentro do cinema só para não correr o risco de pagar a entrada para ela. E ainda dava para ela a desculpa que preferia assim porque não gostava que ela ficasse parada na porta! O pior foi ver o cinismo dele contando as fileiras do cinema dizendo que havia marcado com ela na quarta fileira de cima para baixo. E lá estava a santa namorada dele. E com várias bolsas e sacolas marcando lugares. Que santa...
Bem, passado isso o filme começou. Cheguei a sugerir, sarcasticamente, ao Jéferson comprarmos alguns sacos de pipoca, mas ele me respondeu com um sutil vai a m. Mas após o término do filme já não dava para disfarçar a fome. Algumas barrigas já roncavam e a namorada de Jéferson já estava com os olhos no fundo. Foi aí que ela virou e disse que estava com fome. Então, meu querido amigo Jéferson disse a seguinte frase: “ainda bem que jantei antes de sair de casa”. Aquilo foi inacreditável, um choque para todos que observavam e escutavam. Como é que Jéferson poderia ir tão longe? Eu não sabia se me indignava ou se achava graça da cara que ele fez. Então meu amigo Carlos teve a brilhante idéia de todos racharmos uma pizza gigante. Ficamos um pouco receosos com o que Jéferson poderia dizer, mas ele aceitou. Mas é claro que na hora de pagar a pizza ninguém se atreveu a pedir a ele que contribuísse. “A idéia foi de vocês”, teria dito ele.
E essa foi a desastrosa noite. Durante vários momentos alguns colegas ficava cochichando sobre o cara-de-pau do Jéferson. Mas só que não acabou por aí. Na hora de ir embora, Carlos perguntou se era melhor pegarmos um ônibus ou racharmos um táxi. Sabem o que Jéferson disse? “Ah, a noite está tão bonita? Por que não vamos a pé?” Acho que na hora que ele deu a mão para a namorada foi o único momento da noite em que a mão dele abriu...
quinta-feira, 30 de dezembro de 2004
sábado, 18 de dezembro de 2004
A Camisa
Esta história aconteceu em 1998. Era um ano em que o meu querido clube Botafogo tinha algo que se podia chamar de time. Tinha Bebeto, Túlio, Sérgio Manoel, enfim. Era um time tão bom que havia chegado à final do Torneio Rio-São Paulo. Eu já havia decidido assistir ao jogo no Maracanã. Comprei os ingressos antecipadamente e resolvi comprar uma camisa nova do clube. Eu já tinha todos os tipos de camisas alvinegras, menos a que era toda preta. Assim, procurei-a por toda cidade até achá-la na vitrine de uma loja.
Foi uma cena meio estranha. Alem da camisa do Botafogo, o manequim também usava um boné do Flamengo e um short do Vasco. Isso é que é ser variado. Cheguei a pensar que a loja poderia possuir poucos manequins, mas um pouco mais atrás havia um completamente despido! Coitado, o que teria ele feito? O dono da loja preferia misturar cores de diferentes clubes em um mesmo manequim do que colocar algo naquele despido. Aliás, manequins são uma grande prova do preconceito na sociedade. Alguém já viu algum manequim gordo? Que nada, são todos fortes e saradões. E o incrível é que a utilidade do manequim, além de expor a roupa, também é a de mostrar como a roupa ficaria no seu corpo. Ora, será que os lojistas acham que todo mundo é magro?
Enfim, vamos voltar à camisa. Mal coloquei o pé na loja e veio uma garota me atender. Então eu disse que queria uma camisa preta do Botafogo tamanho G. A menina fez uma cara de poucos amigos, já dando a entender que seria difícil achar G. Ela foi até a prateleira, revirou tudo, encheu o balcão de camisas e nada de achar uma G. Eu já estava quase desistindo quando ela finalmente encontrou uma. Minha alegria só durou até eu perceber que na parte de trás da camisa estava o número 6. Puxa, eu queira muito a camisa, mas comprar justo a do lateral esquerdo? Acho que nunca vi ninguém usar uma camisa de clube com o número 6. E o pior é que era a única G que havia na loja. A vendedora ainda insistiu um pouco, mas não dava. 6 não...
Eu já estava quase saindo quando percebi que aquela camisa da vitrine tinha o número 7 nas costas. 7 sim é um bom número, especialmente quando se trata de Botafogo. Reparei que o manequim não tinha tão mais corpo que eu (viram a utilidade do manequim) e perguntei se o tamanho dela era G. A vendedora disse que sim, mas que não poderia tirar da vitrine. Ora, se está na vitrine não é para vender? Por que não poderia tirar? Resolvi insistir, afinal eu não acharia outra camisa daquela até a hora do jogo. A vendedora continuou negando e chegou a dizer “por que não leva a 6 mesmo? De 6 para 7 é só 1 de diferença!” Só 1 de diferença? Ora essa, existe muita diferença entre o lateral esquerdo e o ponta direita (e no caso do Botafogo, isso faz mais diferença ainda). Tentei convencê-la disso e ela resolveu ir até outro vendedor. Ficou uns 2 minutos falando com o cara e depois este veio até mim perguntando qual era o problema (qual era o problema? Ora, sobre o que a vendedora tinha falado com ele?). Eu disse que queria a camisa da vitrine e ele disse que não poderia tirá-la de lá (!). Que droga, vendedor diferente, mas o mesmo problema. O cara alegou que só podia vender as camisas da prateleira e que as camisas da vitrine só serviam para chamar atenção das pessoas na rua (ou seja, isca de peixe). Aí eu me enfezei. Abri os braços e disse que aquilo era quase como uma propaganda enganosa, pois eles estavam anunciando que tinham uma camisa 7 preta do Botafogo para vender, mas na verdade não tinham. Aí ele resolveu mudar o discurso, disse que a camisa na vitrine estava meio suja. Parecia que havia ouro na camisa, pois ele não queria me vender mesmo! Eu disse que não tinha problema, que eu lavaria. Aí o cara novamente mandou essa: “por que não leva a 6 mesmo?” Nem discuti mais, só disse que se eu não levasse a 7, não levaria nenhuma outra.
Depois de muita discussão, o vendedor resolveu ir até o gerente que ficava numa sala de vidro. Parecia uma cena do Poderoso chefão. O vendedor tirou o boné para falar com o cara, andou devagarzinho, abaixou a cabeça e falou do problema (eu suponho, pois o medo que ele parecia ter do gerente era tanto que até a voz saiu baixa). Bem, o gerente não teve toda a sutileza do vendedor. De onde eu estava foi possível ouvir o gerente gritar: “tira da vitrine, ué! Vai deixar de vender a camisa só porque via ter de trocar a camisa da vitrine?” Ou seja, no fim das contas tudo não passava de preguiça e má vontade dos vendedores. O vendedor veio bastante sem graça e tirou a camisa da vitrine.
Assim, finalmente eu consegui comprar minha camisa. Meu pensamento era chegar em casa e dar uma boa lavada na camisa. Não apenas pela sujeira (que o vendedor disse que haveria), mas também por um possível mal olhado do vendedor, já que fez o serviço de muita má vontade. Quando eu estava saindo, o vendedor estava colocando a camisa 6 na vitrine no lugar onde estava a 7. Aí eu tive de dizer “essa você nunca vai precisar tirar daí, pode ter certeza”. Queimei a língua. Passou um mês, eu já tinha até esquecido disso (o Botafogo já até tinha sido campeão), quando vi um amigo com a camisa 6 preta do Botafogo. Meio curioso eu resolvi comentar: “Pô cara, comprou justo um 6?” Aí ele me disse: “Pois é, só tinha essa. E ainda estava na vitrine!” Gostaria de ter visto a cara do vendedor.
Foi uma cena meio estranha. Alem da camisa do Botafogo, o manequim também usava um boné do Flamengo e um short do Vasco. Isso é que é ser variado. Cheguei a pensar que a loja poderia possuir poucos manequins, mas um pouco mais atrás havia um completamente despido! Coitado, o que teria ele feito? O dono da loja preferia misturar cores de diferentes clubes em um mesmo manequim do que colocar algo naquele despido. Aliás, manequins são uma grande prova do preconceito na sociedade. Alguém já viu algum manequim gordo? Que nada, são todos fortes e saradões. E o incrível é que a utilidade do manequim, além de expor a roupa, também é a de mostrar como a roupa ficaria no seu corpo. Ora, será que os lojistas acham que todo mundo é magro?
Enfim, vamos voltar à camisa. Mal coloquei o pé na loja e veio uma garota me atender. Então eu disse que queria uma camisa preta do Botafogo tamanho G. A menina fez uma cara de poucos amigos, já dando a entender que seria difícil achar G. Ela foi até a prateleira, revirou tudo, encheu o balcão de camisas e nada de achar uma G. Eu já estava quase desistindo quando ela finalmente encontrou uma. Minha alegria só durou até eu perceber que na parte de trás da camisa estava o número 6. Puxa, eu queira muito a camisa, mas comprar justo a do lateral esquerdo? Acho que nunca vi ninguém usar uma camisa de clube com o número 6. E o pior é que era a única G que havia na loja. A vendedora ainda insistiu um pouco, mas não dava. 6 não...
Eu já estava quase saindo quando percebi que aquela camisa da vitrine tinha o número 7 nas costas. 7 sim é um bom número, especialmente quando se trata de Botafogo. Reparei que o manequim não tinha tão mais corpo que eu (viram a utilidade do manequim) e perguntei se o tamanho dela era G. A vendedora disse que sim, mas que não poderia tirar da vitrine. Ora, se está na vitrine não é para vender? Por que não poderia tirar? Resolvi insistir, afinal eu não acharia outra camisa daquela até a hora do jogo. A vendedora continuou negando e chegou a dizer “por que não leva a 6 mesmo? De 6 para 7 é só 1 de diferença!” Só 1 de diferença? Ora essa, existe muita diferença entre o lateral esquerdo e o ponta direita (e no caso do Botafogo, isso faz mais diferença ainda). Tentei convencê-la disso e ela resolveu ir até outro vendedor. Ficou uns 2 minutos falando com o cara e depois este veio até mim perguntando qual era o problema (qual era o problema? Ora, sobre o que a vendedora tinha falado com ele?). Eu disse que queria a camisa da vitrine e ele disse que não poderia tirá-la de lá (!). Que droga, vendedor diferente, mas o mesmo problema. O cara alegou que só podia vender as camisas da prateleira e que as camisas da vitrine só serviam para chamar atenção das pessoas na rua (ou seja, isca de peixe). Aí eu me enfezei. Abri os braços e disse que aquilo era quase como uma propaganda enganosa, pois eles estavam anunciando que tinham uma camisa 7 preta do Botafogo para vender, mas na verdade não tinham. Aí ele resolveu mudar o discurso, disse que a camisa na vitrine estava meio suja. Parecia que havia ouro na camisa, pois ele não queria me vender mesmo! Eu disse que não tinha problema, que eu lavaria. Aí o cara novamente mandou essa: “por que não leva a 6 mesmo?” Nem discuti mais, só disse que se eu não levasse a 7, não levaria nenhuma outra.
Depois de muita discussão, o vendedor resolveu ir até o gerente que ficava numa sala de vidro. Parecia uma cena do Poderoso chefão. O vendedor tirou o boné para falar com o cara, andou devagarzinho, abaixou a cabeça e falou do problema (eu suponho, pois o medo que ele parecia ter do gerente era tanto que até a voz saiu baixa). Bem, o gerente não teve toda a sutileza do vendedor. De onde eu estava foi possível ouvir o gerente gritar: “tira da vitrine, ué! Vai deixar de vender a camisa só porque via ter de trocar a camisa da vitrine?” Ou seja, no fim das contas tudo não passava de preguiça e má vontade dos vendedores. O vendedor veio bastante sem graça e tirou a camisa da vitrine.
Assim, finalmente eu consegui comprar minha camisa. Meu pensamento era chegar em casa e dar uma boa lavada na camisa. Não apenas pela sujeira (que o vendedor disse que haveria), mas também por um possível mal olhado do vendedor, já que fez o serviço de muita má vontade. Quando eu estava saindo, o vendedor estava colocando a camisa 6 na vitrine no lugar onde estava a 7. Aí eu tive de dizer “essa você nunca vai precisar tirar daí, pode ter certeza”. Queimei a língua. Passou um mês, eu já tinha até esquecido disso (o Botafogo já até tinha sido campeão), quando vi um amigo com a camisa 6 preta do Botafogo. Meio curioso eu resolvi comentar: “Pô cara, comprou justo um 6?” Aí ele me disse: “Pois é, só tinha essa. E ainda estava na vitrine!” Gostaria de ter visto a cara do vendedor.
sábado, 4 de dezembro de 2004
Os Penetras
Oi pessoal. Devido a provas e trabalhos, fiquei impossibilitado de atualizar o blog antes. Agora que estou mais relaxado, aí vai uma história que se passou quando eu tinha 16 anos de idade:
Era para ser um dia de sábado comum. Eu voltava do futebol com uns amigos quando um deles, Jéferson, falou que tinha uma festa de 15 anos maneira para irmos. Sempre achei que festas de 15 anos são como desfiles de escola de samba: muda o tema musical, mas o cenário é sempre o mesmo. É uma falsa formalidade que gera até um desconforto às vezes. Nessas festas, ficam todos esperando acabar logo aquele longo cerimonial para a verdadeira festa começar.
Bem, eu já havia dito que não estava a fim antes que Gilson perguntasse quem era a aniversariante. A resposta de Jéferson foi a mais inesperada possível: “sei lá!”. Ora, quando se vai a uma festa, pode até ser que você não leve presente para o aniversariante, mas deve no mínimo saber o nome dele. Ninguém entendeu nada e Jéferson explicou que perto da casa dele havia um salão no qual haveria uma festa de 15 anos à noite. E como o porteiro do local era companheiro de sinuca do tio de Jéferson, este achou que poderíamos entrar facilmente de penetras! Olha, foi uma sensação estranha. Era como se alguém tivesse me convidado para um assalto. Novamente meu primeiro gesto foi de recusa. Mas foi aí que Jéferson disse uma frase interessante: “entrar de penetra vai dar o toque de adrenalina que falta às festas de 15 anos”. Bom argumento. Que mal faria uma aventura dessas aos 16 anos de idade? Resolvi aceitar.
À noite chegamos no local da festa. Fiquei meio aflito, pois percebi que o porteiro recolhia convites das pessoas que entravam. A poucos metros da entrada, Jéferson pediu que esperássemos enquanto ele falava com o porteiro. Ele chegou lá, deu um abraço com direito a tapinha nas costas do cara. Conversaram por uns 15 minutos até que Jéferson nos chamou e nos apresentou ao porteiro. Depois disso voltou a conversar com o homem e fez sinal com a cabeça para nós entrarmos. Ficamos meio confusos mais entramos. 5 minutos depois, Jéferson entrou nos dizendo para ficarmos o mais longe possível da porta. Brincadeira, eu estava crente que ela havia negociado pacificamente a nossa entrada. Mas enfim... Já na festa, percebi que aquele papo de adrenalina era real. Não ficamos nenhum minuto entediados, pois tínhamos de olhar toda hora de um lado para o outro para ter certeza de que ninguém nos descobriu. O tempo foi passando e fomos relaxando mais. O comes e bebes estava muito bom e até a música parecia agradável.
Foi aí que Rogério caiu na besteira de dar em cima de uma garota. De tantas garotas que havia na festa, ele foi escolher justamente a irmã da debutante! A garota foi saber da irmã (a debutante) quem era ele. A debutante arregalou os olhos, franziu a testa e abriu a boca. Para nós aquilo tinha um significado bem claro: “sujou”. Falei com Jéferson para irmos embora, mas ele disse que não era para eu me preocupar. Eu ainda tentava convencê-lo quando a música parou subitamente. Eis que surgiu o pai da debutante com uma expressão de fúria psicótica. Ele parou no meio do salão e disse “não vai ter mais p. nenhuma de festa até que todos os penetras vazem daqui!”. Que vergonha... Nem dava para disfarçar, pois o cara e a filha olhavam diretamente para nós. Abaixamos a cabeça e saímos. O interessante é que além de nós quatro, saíram ainda mais umas dez pessoas. Parece que o porteiro jogava sinuca com muita gente...
Do lado de fora, Jéferson estava inconformado. Era como se ele tivesse perdido uma final de campeonato. Tudo que ele dizia era que a noite não poderia acabar daquele jeito. Foi então que ao virar uma esquina ouvimos barulho de música. Seguimos o som e demos de cara com uma recepção de casamento. Eu já estava quase dando meia volta quando Jéferson estampou um sorriso no rosto e disse: “Essa não tem nem porteiro. Vamos à forra!” Mais tarde descobriríamos que havia porteiro sim, só que este estava bebendo em uma das mesas. Nós que não tínhamos nada com isso, entramos e sentamos numa mesa.
Correu tudo bem. Refrigerante e salgadinhos à vontade e ninguém parecia desconfiar de nós. Já pensávamos em ir embora quando os noivos se aproximaram da nossa mesa. Percebemos que eles viam para nos cumprimentar e ficamos completamente sem ação. Antes que fizéssemos alguma coisa os noivos chegaram e nos cumprimentaram. O noivo perguntou se estávamos sendo bem servidos. Dissemos que sim, mas que já estávamos de saída. Foi então que o noivo olhou bem para o rosto de Jéferson e disse: "Você não é sobrinho do Artur?" "Sou sim", respondeu Jéferson com suor na testa. "Poxa, e cadê o Artur, por que não veio?", perguntou o noivo. Eu já pensava em dizer que Artur não tinha vindo porque havia perdido a Excalibur, quando Jéferson disse: "Ah é que ele teve que viajar com minha tia". O noivo arregalou o olho surpreso e curioso e disse: "Mas ele e a Lúcia não tinham separado?" Eu não sabia se ria ou se chorava. Jéferson se saiu com essa: "É, eu falo tia em consideração. Na verdade é uma amizade colorida dele...". O noivo deu uma gargalhada, apertou a mão de Jéferson e saiu para outra mesa.
Ficamos rindo bastante por uns 5 minutos e assim que os noivos estavam bem longe resolvemos sair de fininho da festa. Gilson queria ficar, pois agora é que estava realmente legal. Realmente, mas não seria bom abusar da sorte. Além disso, aquele que luta e foge, vive para lutar num outro dia.
Era para ser um dia de sábado comum. Eu voltava do futebol com uns amigos quando um deles, Jéferson, falou que tinha uma festa de 15 anos maneira para irmos. Sempre achei que festas de 15 anos são como desfiles de escola de samba: muda o tema musical, mas o cenário é sempre o mesmo. É uma falsa formalidade que gera até um desconforto às vezes. Nessas festas, ficam todos esperando acabar logo aquele longo cerimonial para a verdadeira festa começar.
Bem, eu já havia dito que não estava a fim antes que Gilson perguntasse quem era a aniversariante. A resposta de Jéferson foi a mais inesperada possível: “sei lá!”. Ora, quando se vai a uma festa, pode até ser que você não leve presente para o aniversariante, mas deve no mínimo saber o nome dele. Ninguém entendeu nada e Jéferson explicou que perto da casa dele havia um salão no qual haveria uma festa de 15 anos à noite. E como o porteiro do local era companheiro de sinuca do tio de Jéferson, este achou que poderíamos entrar facilmente de penetras! Olha, foi uma sensação estranha. Era como se alguém tivesse me convidado para um assalto. Novamente meu primeiro gesto foi de recusa. Mas foi aí que Jéferson disse uma frase interessante: “entrar de penetra vai dar o toque de adrenalina que falta às festas de 15 anos”. Bom argumento. Que mal faria uma aventura dessas aos 16 anos de idade? Resolvi aceitar.
À noite chegamos no local da festa. Fiquei meio aflito, pois percebi que o porteiro recolhia convites das pessoas que entravam. A poucos metros da entrada, Jéferson pediu que esperássemos enquanto ele falava com o porteiro. Ele chegou lá, deu um abraço com direito a tapinha nas costas do cara. Conversaram por uns 15 minutos até que Jéferson nos chamou e nos apresentou ao porteiro. Depois disso voltou a conversar com o homem e fez sinal com a cabeça para nós entrarmos. Ficamos meio confusos mais entramos. 5 minutos depois, Jéferson entrou nos dizendo para ficarmos o mais longe possível da porta. Brincadeira, eu estava crente que ela havia negociado pacificamente a nossa entrada. Mas enfim... Já na festa, percebi que aquele papo de adrenalina era real. Não ficamos nenhum minuto entediados, pois tínhamos de olhar toda hora de um lado para o outro para ter certeza de que ninguém nos descobriu. O tempo foi passando e fomos relaxando mais. O comes e bebes estava muito bom e até a música parecia agradável.
Foi aí que Rogério caiu na besteira de dar em cima de uma garota. De tantas garotas que havia na festa, ele foi escolher justamente a irmã da debutante! A garota foi saber da irmã (a debutante) quem era ele. A debutante arregalou os olhos, franziu a testa e abriu a boca. Para nós aquilo tinha um significado bem claro: “sujou”. Falei com Jéferson para irmos embora, mas ele disse que não era para eu me preocupar. Eu ainda tentava convencê-lo quando a música parou subitamente. Eis que surgiu o pai da debutante com uma expressão de fúria psicótica. Ele parou no meio do salão e disse “não vai ter mais p. nenhuma de festa até que todos os penetras vazem daqui!”. Que vergonha... Nem dava para disfarçar, pois o cara e a filha olhavam diretamente para nós. Abaixamos a cabeça e saímos. O interessante é que além de nós quatro, saíram ainda mais umas dez pessoas. Parece que o porteiro jogava sinuca com muita gente...
Do lado de fora, Jéferson estava inconformado. Era como se ele tivesse perdido uma final de campeonato. Tudo que ele dizia era que a noite não poderia acabar daquele jeito. Foi então que ao virar uma esquina ouvimos barulho de música. Seguimos o som e demos de cara com uma recepção de casamento. Eu já estava quase dando meia volta quando Jéferson estampou um sorriso no rosto e disse: “Essa não tem nem porteiro. Vamos à forra!” Mais tarde descobriríamos que havia porteiro sim, só que este estava bebendo em uma das mesas. Nós que não tínhamos nada com isso, entramos e sentamos numa mesa.
Correu tudo bem. Refrigerante e salgadinhos à vontade e ninguém parecia desconfiar de nós. Já pensávamos em ir embora quando os noivos se aproximaram da nossa mesa. Percebemos que eles viam para nos cumprimentar e ficamos completamente sem ação. Antes que fizéssemos alguma coisa os noivos chegaram e nos cumprimentaram. O noivo perguntou se estávamos sendo bem servidos. Dissemos que sim, mas que já estávamos de saída. Foi então que o noivo olhou bem para o rosto de Jéferson e disse: "Você não é sobrinho do Artur?" "Sou sim", respondeu Jéferson com suor na testa. "Poxa, e cadê o Artur, por que não veio?", perguntou o noivo. Eu já pensava em dizer que Artur não tinha vindo porque havia perdido a Excalibur, quando Jéferson disse: "Ah é que ele teve que viajar com minha tia". O noivo arregalou o olho surpreso e curioso e disse: "Mas ele e a Lúcia não tinham separado?" Eu não sabia se ria ou se chorava. Jéferson se saiu com essa: "É, eu falo tia em consideração. Na verdade é uma amizade colorida dele...". O noivo deu uma gargalhada, apertou a mão de Jéferson e saiu para outra mesa.
Ficamos rindo bastante por uns 5 minutos e assim que os noivos estavam bem longe resolvemos sair de fininho da festa. Gilson queria ficar, pois agora é que estava realmente legal. Realmente, mas não seria bom abusar da sorte. Além disso, aquele que luta e foge, vive para lutar num outro dia.
domingo, 14 de novembro de 2004
O Ônibus
Essa história aconteceu há algum tempo atrás. Eu tinha de fazer um trabalho eu fui até a Biblioteca Nacional. Na saída, acabei encontrando uma amiga minha chamada Marcela. Conversamos um pouco e depois fomos para o ponto pegar o ônibus. Enquanto íamos para o ponto, percebi que um rapaz vinha correndo para alcançar o ônibus que já estava no ponto. O ônibus começou a andar e o rapaz parou de correr como se desistisse de pegá-lo. De repente o ônibus parou. O rapaz ameaçou voltar a correr, parou, pensou e correu de novo. No mesmo instante o ônibus voltou a andar. O rapaz jogou uma das mãos para o alto como quem dissesse “dane-se” e desistiu de correr. Imediatamente o ônibus voltou a parar. “É agora ou nunca”, deve ter pensado o rapaz. Ele estufou o peito, levantou os joelhos e foi em disparada para o ônibus. Este, também em disparada, arrancou do ponto, deixando lá o rapaz aos palavrões e socos ao vento. É, lei de Murphy é um caso sério....
Bem, passado isso, eu fiquei lá no ponto esperando um ônibus para a Central enquanto Marcela esperava um para Copacabana. Ponto de ônibus é um fenômeno social. É incrível como se vê de tudo lá. Pessoas falando de sua própria vida para os outros (sem que estes tenham perguntado), pessoas querendo saber da vida dos outros (sem que estes queiram falar), comentários sobre os mais diversos assuntos e gente de todo tipo. Entre essas pessoas, uma que me chamava bastante atenção era um cara que queria vender vales-transporte. Esse tipo se alastrou e já existe em todos os lugares, tais como os flanelinhas. Gostaria de saber onde eles arranjam tantos vales para vender, pois todos os dias esses caras estão nos pontos querendo trocar. Esse especificamente me chamou a atenção pela maneira de falar. Geralmente esses “trocadores de vale” apenas chegam até você e perguntam se quer trocar o dinheiro por vale. Esse não! Esse chegava nas pessoas e dizia: “troca esse vale para mim”. Se a pessoa dissesse não, o cara ficava indignado. Dizia “porra, tu não vai pegar ônibus, não vai gastar o dinheiro mesmo? O que é que tem tu trocar meu vale então? Porra, deixa de vacilo!”. Eu já tinha visto flanelinhas coagirem e intimidarem motoristas para ganhar dinheiro, mas trocador de vale era a primeira vez. Era possível ver o susto e o medo no semblante de algumas pessoas. Eu já estava pensando em que resposta dar para o cara quando antes de ele chegar até mim, os vales acabaram. É, dessa eu escapei...
Meu ônibus e o de Marcela estavam demorando. Até que uma Van para Copacabana apareceu. Marcela ficou na dúvida, hora ela ameaçava ir, hora ele desistia. Dava para ver a agonia na cara dela, parecia pensar “meu Deus, pegou ou não pego essa Van?” O motorista deve ter percebido a dúvida nas expressões dela e perguntou olhando para ela: “Copacabana?” Marcela deu um sorrisinho sem graça e balançou o dedo em sinal negativo para o motorista. Assim que a Van foi embora, Marcela disse: “Puxa, eu devia ter pegado essa Van”. Ora essa, então por que não pegou, pensei. Antes que eu perguntasse, ela disse, como quem quisesse, se justificar que os motoristas dessas Vans são muito barbeiros, mas que quase subiu ao ver a porta aberta. É, realmente, naquele calor e com aquela demora, a Van realmente era tentadora. Até eu que não iria para Copacabana tive vontade de subir. Até que depois de um tempo eis que surge o ônibus para Copacabana. Marcela era a única do ponto que esperava por ele e correu para dar o sinal. Despediu-se de mim e se dirigiu para a porta de trás do ônibus. Quando ela já ia subir, viu que uma senhora descia pela porta. “Tsc Tsc Tsc, que isso hein?”, disse Marcela para a senhora como se reprovasse a atitude de descer pela porta traseira. A senhora não entendeu nada e disse que a saída era por ali mesmo. Marcela deu um sorriso sarcástico e começou a subir as escadas. Nesse momento a porta se fechou e quase derrubou Marcela da escada. Ela ficou bem irritada e começou a socar a porta. Eis que todos os passageiros do ônibus começaram a gritar: “Entra pela porta da frente!!!” Marcela ficou totalmente desorientada, sem entender nada. As pessoas no ponto apontavam para a porta da frente como se quisessem orientá-la. Marcela ainda estava meio incrédula quando gritaram com mais força: “Pela porta da frente!!!!” Ainda não são todos os ônibus que têm a entrada pela porta da frente e com certeza isso confundiu Marcela. De cabeça baixa, ela foi para a porta da frente e subiu. Em mais um ato confuso, ela parou nas escadas, contou o dinheiro para a passagem e o entregou para o motorista. Esse fez uma cara bem debochada, sorriu e disse: “Não, você paga ao cobrador”. As pessoas no ônibus riam pra valer, algumas até gritavam “vamos logo garota!” Marcela pagou a passagem e se sentou bem no canto com a cara mais envergonhada possível. A essa altura ela deveria estar pensando: “Por que não peguei a Van?”
Bem, passado isso, eu fiquei lá no ponto esperando um ônibus para a Central enquanto Marcela esperava um para Copacabana. Ponto de ônibus é um fenômeno social. É incrível como se vê de tudo lá. Pessoas falando de sua própria vida para os outros (sem que estes tenham perguntado), pessoas querendo saber da vida dos outros (sem que estes queiram falar), comentários sobre os mais diversos assuntos e gente de todo tipo. Entre essas pessoas, uma que me chamava bastante atenção era um cara que queria vender vales-transporte. Esse tipo se alastrou e já existe em todos os lugares, tais como os flanelinhas. Gostaria de saber onde eles arranjam tantos vales para vender, pois todos os dias esses caras estão nos pontos querendo trocar. Esse especificamente me chamou a atenção pela maneira de falar. Geralmente esses “trocadores de vale” apenas chegam até você e perguntam se quer trocar o dinheiro por vale. Esse não! Esse chegava nas pessoas e dizia: “troca esse vale para mim”. Se a pessoa dissesse não, o cara ficava indignado. Dizia “porra, tu não vai pegar ônibus, não vai gastar o dinheiro mesmo? O que é que tem tu trocar meu vale então? Porra, deixa de vacilo!”. Eu já tinha visto flanelinhas coagirem e intimidarem motoristas para ganhar dinheiro, mas trocador de vale era a primeira vez. Era possível ver o susto e o medo no semblante de algumas pessoas. Eu já estava pensando em que resposta dar para o cara quando antes de ele chegar até mim, os vales acabaram. É, dessa eu escapei...
Meu ônibus e o de Marcela estavam demorando. Até que uma Van para Copacabana apareceu. Marcela ficou na dúvida, hora ela ameaçava ir, hora ele desistia. Dava para ver a agonia na cara dela, parecia pensar “meu Deus, pegou ou não pego essa Van?” O motorista deve ter percebido a dúvida nas expressões dela e perguntou olhando para ela: “Copacabana?” Marcela deu um sorrisinho sem graça e balançou o dedo em sinal negativo para o motorista. Assim que a Van foi embora, Marcela disse: “Puxa, eu devia ter pegado essa Van”. Ora essa, então por que não pegou, pensei. Antes que eu perguntasse, ela disse, como quem quisesse, se justificar que os motoristas dessas Vans são muito barbeiros, mas que quase subiu ao ver a porta aberta. É, realmente, naquele calor e com aquela demora, a Van realmente era tentadora. Até eu que não iria para Copacabana tive vontade de subir. Até que depois de um tempo eis que surge o ônibus para Copacabana. Marcela era a única do ponto que esperava por ele e correu para dar o sinal. Despediu-se de mim e se dirigiu para a porta de trás do ônibus. Quando ela já ia subir, viu que uma senhora descia pela porta. “Tsc Tsc Tsc, que isso hein?”, disse Marcela para a senhora como se reprovasse a atitude de descer pela porta traseira. A senhora não entendeu nada e disse que a saída era por ali mesmo. Marcela deu um sorriso sarcástico e começou a subir as escadas. Nesse momento a porta se fechou e quase derrubou Marcela da escada. Ela ficou bem irritada e começou a socar a porta. Eis que todos os passageiros do ônibus começaram a gritar: “Entra pela porta da frente!!!” Marcela ficou totalmente desorientada, sem entender nada. As pessoas no ponto apontavam para a porta da frente como se quisessem orientá-la. Marcela ainda estava meio incrédula quando gritaram com mais força: “Pela porta da frente!!!!” Ainda não são todos os ônibus que têm a entrada pela porta da frente e com certeza isso confundiu Marcela. De cabeça baixa, ela foi para a porta da frente e subiu. Em mais um ato confuso, ela parou nas escadas, contou o dinheiro para a passagem e o entregou para o motorista. Esse fez uma cara bem debochada, sorriu e disse: “Não, você paga ao cobrador”. As pessoas no ônibus riam pra valer, algumas até gritavam “vamos logo garota!” Marcela pagou a passagem e se sentou bem no canto com a cara mais envergonhada possível. A essa altura ela deveria estar pensando: “Por que não peguei a Van?”
quinta-feira, 4 de novembro de 2004
O Museu
Na semana passada, meu professor da UFF de Histórias das Formas, marcou uma aula no MAM (Museu de Arte Moderna). Eu nunca gostei muito dessas aulas de campo. Geralmente os alunos se dispersam e a aula acaba sendo mais um passeio do que uma aula. Talvez por isso alguns professores cobrem trabalhos em cima da aula. É uma forma não apenas de forçar os alunos a aparecerem, mas também de obrigá-los a não se dispersarem. Enfim, minha primeira dificuldade foi chegar no MAM. Tinha me dito que o museu ficava ao lado do aeroporto Santos Dummont e para lá eu fui. Bem, não era exatamente do lado, porque ao chegar no aeroporto não vi nada que lembrasse um museu (com exceção de uma Brasília que passava pelo local). Resolvi perguntar a um taxista e este, surpreendentemente, me disse que não tinha a menor idéia de onde ficava. Nossa, se nem u m taxista sabe onde fica o museu, quem vai saber? Resolvi dar uma volta pela primeira rua que me apareceu na frente e acabei achando o museu!
Com toda a turma reunida, compramos as entradas. Ao chegar na roleta, percebi que a máquina não estava puxando o bilhete. Antes que eu perguntasse a alguém qual era o problema, o porteiro me disse que a roleta estava com defeito e que eu podia passar sem inserir o bilhete. “Puxa vida, porque eu gastei dinheiro nisso se eu podia entrar de graça”, pensei meio bolado. Nessa hora me deu vontade de chegar no meio da rua e contar para todos que passassem que a entrada no MAM hoje era de graça. Fala-se tanto que o povo precisa de cultura, por que não abrir as portas de um museu?
Ao entrar no museu levei um susto com uma televisão bem de frente à escada de acesso ao andar com as obras. Uma TV no museu? De repente percebi que a TV ficava o tempo todo mostrando mãos sendo lavadas numa pia. Continuei sem entender até me dizerem que aquilo era vídeo-arte! Nossa, estamos mesmo na era da informática! Passado esse susto, escutei o professor dizendo que era para que nós observássemos tudo e procurássemos analisar as obras com um olhar crítico. Crítico... Agora eu iria cumprir um papel o qual nunca esperei ter de cumprir um dia: crítico de arte. Enfim, lá fui eu...
E aqui começam as minhas indagações. Quando eu reclamo de certos tipos de arte, as pessoas me acusam de não gostar de arte. Mas isso não é verdade. Eu gosto sim de ver quadros e esculturas desde que na primeira olhada eu consiga entender o que a obra significa. Acho que a partir do momento que é necessário que outra pessoa te explique o significado de uma obra, quer dizer que a idéia não foi bem passada. Forma inúmeras sucessões de quadros com rabiscos, cores fortes, borrões, enfim, nada que eu compreendesse. Só não fiquei viajando mais porque no mesmo dia havia uma excursão de alunos do primário de alguma escola. Como bom jornalista, enquanto a “tia” explicava os quadros para as crianças, eu anotava palavra por palavra.
De repente, eis que vi no chão vários pedaços de madeira enfileirados ao lado da parede. Juro que a primeira impressão era de que estavam fazendo obras no museu. Até que cheguei mais perto e vi que aquilo era uma escultura! Olha, aquilo só é obra de arte porque está dentro do museu. Pedaços de madeira enfileirados eu já vi em várias madeireiras e eu sempre paguei barato por eles. Geralmente obras de arte costumam ser bem caras.
Andando mais um pouco, dei de cara com um paletó pendurado na parede e um cinto preso a uma madeira. Paletó e cinto pendurados? Isso é arte moderna? Se alguém me disse que aquilo era a roupa de algum funcionário eu não iria duvidar. O que mais me impressiona é que várias pessoas paravam e olhavam aquilo com muita admiração. E pro falar em funcionários, eu fiquei com pena deles. Ficam o tempo todo parados no museu, vigiando para que ninguém toque nas obras. Beleza, trabalho necessário e nobre, mas, caramba, deve ser bem chato. Imaginem só, ficar o dia inteiro de pé parado dentro de um museu. Se eu que estava andando, já não estava agüentando, imaginem eles que ficam parados!
Eu já tinha quase no final das obras quando me deparei com mais uma surpresa: bem no canto da sala, havia vários tubos e conexões encaixados formando uma figura geométrica não facilmente identificável. Poxa, tubos e conexões (e nem eram TIGRE)? Vá em qualquer loja de material de construções que você verá vários tubos conectados. Eu mesmo já cansei de fazer daqueles bonequinhos que ficam em balcões dessas lojas (talvez eu poderia ter ganhado algum dinheiro). É mais um exemplo de arte que só é arte porque está num museu, francamente. Aliás, primeiro foram os pedaços de madeira e agora tubos e conexões. Acho que eu nunca tinha visto obras de arte que fossem tão ligadas ao nome “obra”.
Era isso, já havia visto tudo que o museu tinha e agora eu só estava esperando pela chamada do professor. Ao me aproximar da saída, vi um homem sentado num banco e dormindo. Pensei “quem sabe isso também não é uma obra de arte”? Ora, se existe “O Pensador”, porque não poderia existir “O Dorminhoco” ou “O Preguiçoso”? Bem, obra de arte ou não, eu já estava cansado de andar e resolvi sentar num dos bancos. Eu já estava quase sentado quando me toquei que aquele “banco” também poderia ser uma obra de arte. Se até madeira e conexões são arte, porque um banco de bronze não poderia ser? Resolvi averiguar bem antes para não correr risco de um vexame.
Passou-se um tempo e o professor enfim fez a chamada. Peguei todas as minhas anotações e desci as escadas para ir embora. Antes disso, olhei para aquela TV que eu havia visto no início e constatei uma coisa interessante: as mãos ainda estavam sendo lavadas! Acho que aquela é a única obra de arte que também presta serviço de utilidade pública.
Com toda a turma reunida, compramos as entradas. Ao chegar na roleta, percebi que a máquina não estava puxando o bilhete. Antes que eu perguntasse a alguém qual era o problema, o porteiro me disse que a roleta estava com defeito e que eu podia passar sem inserir o bilhete. “Puxa vida, porque eu gastei dinheiro nisso se eu podia entrar de graça”, pensei meio bolado. Nessa hora me deu vontade de chegar no meio da rua e contar para todos que passassem que a entrada no MAM hoje era de graça. Fala-se tanto que o povo precisa de cultura, por que não abrir as portas de um museu?
Ao entrar no museu levei um susto com uma televisão bem de frente à escada de acesso ao andar com as obras. Uma TV no museu? De repente percebi que a TV ficava o tempo todo mostrando mãos sendo lavadas numa pia. Continuei sem entender até me dizerem que aquilo era vídeo-arte! Nossa, estamos mesmo na era da informática! Passado esse susto, escutei o professor dizendo que era para que nós observássemos tudo e procurássemos analisar as obras com um olhar crítico. Crítico... Agora eu iria cumprir um papel o qual nunca esperei ter de cumprir um dia: crítico de arte. Enfim, lá fui eu...
E aqui começam as minhas indagações. Quando eu reclamo de certos tipos de arte, as pessoas me acusam de não gostar de arte. Mas isso não é verdade. Eu gosto sim de ver quadros e esculturas desde que na primeira olhada eu consiga entender o que a obra significa. Acho que a partir do momento que é necessário que outra pessoa te explique o significado de uma obra, quer dizer que a idéia não foi bem passada. Forma inúmeras sucessões de quadros com rabiscos, cores fortes, borrões, enfim, nada que eu compreendesse. Só não fiquei viajando mais porque no mesmo dia havia uma excursão de alunos do primário de alguma escola. Como bom jornalista, enquanto a “tia” explicava os quadros para as crianças, eu anotava palavra por palavra.
De repente, eis que vi no chão vários pedaços de madeira enfileirados ao lado da parede. Juro que a primeira impressão era de que estavam fazendo obras no museu. Até que cheguei mais perto e vi que aquilo era uma escultura! Olha, aquilo só é obra de arte porque está dentro do museu. Pedaços de madeira enfileirados eu já vi em várias madeireiras e eu sempre paguei barato por eles. Geralmente obras de arte costumam ser bem caras.
Andando mais um pouco, dei de cara com um paletó pendurado na parede e um cinto preso a uma madeira. Paletó e cinto pendurados? Isso é arte moderna? Se alguém me disse que aquilo era a roupa de algum funcionário eu não iria duvidar. O que mais me impressiona é que várias pessoas paravam e olhavam aquilo com muita admiração. E pro falar em funcionários, eu fiquei com pena deles. Ficam o tempo todo parados no museu, vigiando para que ninguém toque nas obras. Beleza, trabalho necessário e nobre, mas, caramba, deve ser bem chato. Imaginem só, ficar o dia inteiro de pé parado dentro de um museu. Se eu que estava andando, já não estava agüentando, imaginem eles que ficam parados!
Eu já tinha quase no final das obras quando me deparei com mais uma surpresa: bem no canto da sala, havia vários tubos e conexões encaixados formando uma figura geométrica não facilmente identificável. Poxa, tubos e conexões (e nem eram TIGRE)? Vá em qualquer loja de material de construções que você verá vários tubos conectados. Eu mesmo já cansei de fazer daqueles bonequinhos que ficam em balcões dessas lojas (talvez eu poderia ter ganhado algum dinheiro). É mais um exemplo de arte que só é arte porque está num museu, francamente. Aliás, primeiro foram os pedaços de madeira e agora tubos e conexões. Acho que eu nunca tinha visto obras de arte que fossem tão ligadas ao nome “obra”.
Era isso, já havia visto tudo que o museu tinha e agora eu só estava esperando pela chamada do professor. Ao me aproximar da saída, vi um homem sentado num banco e dormindo. Pensei “quem sabe isso também não é uma obra de arte”? Ora, se existe “O Pensador”, porque não poderia existir “O Dorminhoco” ou “O Preguiçoso”? Bem, obra de arte ou não, eu já estava cansado de andar e resolvi sentar num dos bancos. Eu já estava quase sentado quando me toquei que aquele “banco” também poderia ser uma obra de arte. Se até madeira e conexões são arte, porque um banco de bronze não poderia ser? Resolvi averiguar bem antes para não correr risco de um vexame.
Passou-se um tempo e o professor enfim fez a chamada. Peguei todas as minhas anotações e desci as escadas para ir embora. Antes disso, olhei para aquela TV que eu havia visto no início e constatei uma coisa interessante: as mãos ainda estavam sendo lavadas! Acho que aquela é a única obra de arte que também presta serviço de utilidade pública.
sexta-feira, 29 de outubro de 2004
A Blitz
Essa história aconteceu a cerca de três semanas atrás. Eu estava indo para casa, voltando de Niterói. É algo com o qual já me acostumei após 5 anos, mas nessa noite eu estava especialmente cansado. A única coisa que me passava pela cabeça era chegar logo em casa e dormir.
Quando eu cheguei na entrada de Caxias, observei ao longe uma Blitz da polícia. Eu sempre achei que as Blitz tem algo de contraditório. Vejam bem, a idéia da Blitz é justamente pegar o bandido de surpresa. O meliante está no seu carro, com drogas ou qualquer outra coisa que o comprometa e eis que de repente surge uma blitz e o pega desprevenido. Seria ótimo se isso funcionasse na prática, pois na verdade uma Blitz não pega ninguém de surpresa. Olhem o meu caso, eu devia estar a uns 300 metros de distância quando vi aquelas luzes da patrulha da polícia acesas. Ora, será que eles não poderiam pelo menos apagar aquela luz? Já cansei de ver carros dando a volta por cima de canteiros na Avenida Brasil quando há uma Blitz à frente. Acho que o jeito é fazer Blitz apenas na Linha Vermelha, pois lá não dá para voltar.
Bem, o fato é que quando me aproximei da Blitz, o policial olhou bem no meu rosto e me mandou parar. Puxa vida, justo hoje que eu estava doido para chegar logo em casa. Aquela Blitz sempre está ali no mesmo local (aliás esse é o outro fator que a faz perder o seu “elemento surpresa”) e raramente me para. Por que dessa vez? Pensei na Lei de Murphy, mas então, ao levar minha mão ao queixo, notei que não havia feito a barba. Meu professor de Banco de Dados diz que eu fico com cara de terrorista quando estou com a barba grande. É, talvez tenha sido que tenha feito o policial me parar. Quem sabe ele não achava que poderia encontrar uma bomba no meu carro?
“Quem não deve, não teme”, diz o ditado. Exatamente por isso eu estava tranqüilo. Já tinha renovado a carteira e o IPVA estava pago. O policial então me pediu minha habilitação. Enquanto ele averiguava, eu escutava a música do Jaspion (é isso mesmo, o fantástico Jaspion, herói japonês, lembram?). De repente, eis que o policial se vira para mim com cara de espanto. “Caramba, tem algo errado no documento” pensei. Para minha surpresa, ele olhou bem para o rádio do carro (curioso né? Se fosse uma TV até dava para entender, mas o rádio...) e me perguntou: “Essa música é do Jaspion?” “Sim”, respondi. “Que rádio toca isso”, perguntou ele ainda surpreso”. “Não é nenhuma rádio não, eu é que gravei o CD”, falei. Na mesma hora, eis que o policial recua, estica o braço me devolvendo a habilitação e diz: “pode ir, pode ir”. Eu saí de lá estranhando um tanto a atitude do policial e consegui ouvir ele comentando com o parceiro: “O cara tava ouvindo música do Jaspion!”.
Olha, eu já tinha percebido que os policias que fazem Blitz, em 90% dos casos param carros que estejam tocando algum Rap ou Funk. Se estiver alto então, é 100%. Agora, é a primeira vez que eu vejo liberarem alguém porque a pessoa estava ouvindo a música do Jaspion. Ou seja, se o cara está ouvindo Funk ou Rap, podem suspeitar dele. Mas se estiver ouvindo Jaspion, tenham certeza de que está limpo. A partir desse dia, aprendi duas coisas: a primeira é sempre ouvir músicas do Jaspion ao passar numa Blitz. A segunda é “diga-me o que escutas e te direi quem és”.
Quando eu cheguei na entrada de Caxias, observei ao longe uma Blitz da polícia. Eu sempre achei que as Blitz tem algo de contraditório. Vejam bem, a idéia da Blitz é justamente pegar o bandido de surpresa. O meliante está no seu carro, com drogas ou qualquer outra coisa que o comprometa e eis que de repente surge uma blitz e o pega desprevenido. Seria ótimo se isso funcionasse na prática, pois na verdade uma Blitz não pega ninguém de surpresa. Olhem o meu caso, eu devia estar a uns 300 metros de distância quando vi aquelas luzes da patrulha da polícia acesas. Ora, será que eles não poderiam pelo menos apagar aquela luz? Já cansei de ver carros dando a volta por cima de canteiros na Avenida Brasil quando há uma Blitz à frente. Acho que o jeito é fazer Blitz apenas na Linha Vermelha, pois lá não dá para voltar.
Bem, o fato é que quando me aproximei da Blitz, o policial olhou bem no meu rosto e me mandou parar. Puxa vida, justo hoje que eu estava doido para chegar logo em casa. Aquela Blitz sempre está ali no mesmo local (aliás esse é o outro fator que a faz perder o seu “elemento surpresa”) e raramente me para. Por que dessa vez? Pensei na Lei de Murphy, mas então, ao levar minha mão ao queixo, notei que não havia feito a barba. Meu professor de Banco de Dados diz que eu fico com cara de terrorista quando estou com a barba grande. É, talvez tenha sido que tenha feito o policial me parar. Quem sabe ele não achava que poderia encontrar uma bomba no meu carro?
“Quem não deve, não teme”, diz o ditado. Exatamente por isso eu estava tranqüilo. Já tinha renovado a carteira e o IPVA estava pago. O policial então me pediu minha habilitação. Enquanto ele averiguava, eu escutava a música do Jaspion (é isso mesmo, o fantástico Jaspion, herói japonês, lembram?). De repente, eis que o policial se vira para mim com cara de espanto. “Caramba, tem algo errado no documento” pensei. Para minha surpresa, ele olhou bem para o rádio do carro (curioso né? Se fosse uma TV até dava para entender, mas o rádio...) e me perguntou: “Essa música é do Jaspion?” “Sim”, respondi. “Que rádio toca isso”, perguntou ele ainda surpreso”. “Não é nenhuma rádio não, eu é que gravei o CD”, falei. Na mesma hora, eis que o policial recua, estica o braço me devolvendo a habilitação e diz: “pode ir, pode ir”. Eu saí de lá estranhando um tanto a atitude do policial e consegui ouvir ele comentando com o parceiro: “O cara tava ouvindo música do Jaspion!”.
Olha, eu já tinha percebido que os policias que fazem Blitz, em 90% dos casos param carros que estejam tocando algum Rap ou Funk. Se estiver alto então, é 100%. Agora, é a primeira vez que eu vejo liberarem alguém porque a pessoa estava ouvindo a música do Jaspion. Ou seja, se o cara está ouvindo Funk ou Rap, podem suspeitar dele. Mas se estiver ouvindo Jaspion, tenham certeza de que está limpo. A partir desse dia, aprendi duas coisas: a primeira é sempre ouvir músicas do Jaspion ao passar numa Blitz. A segunda é “diga-me o que escutas e te direi quem és”.
sexta-feira, 22 de outubro de 2004
A Reserva
Olá pessoal, estou inaugurando meu Blog. Estive pensando em qual seria a melhor forma de iniciar. Como a idéia do Blog é publicar algumas crônicas reais ou fictícias, resolvi então começar publicando uma história real que me aconteceu e a qual muitos de meus amigos conhecem.
A história se passou à cerca de dois meses e meio. Eu tinha de fazer um trabalho para a disciplina “Jornalismo Político” e procurava alguns livros que pudessem servir de referência. No trabalho eu tinha de falar sobre políticas de comunicação. Acreditem, não é fácil achar livros com este tema. Procurei bastante até que encontrei um livro no acervo da biblioteca da UFF chamada “Agências de Comunicação – Como Agem”. “Nossa, caiu como uma luva”, pensei. Mas qual não foi minha decepção quando ao chegar na prateleira onde estava percebi que ele não estava lá. Bem, o jeito era voltar outro dia.
No outro dia voltei à biblioteca para procurar o livro e ele ainda não tinha sido devolvido. E isso se repetiu por mais uns 3 dias. Resolvi então perguntar a uma funcionária quando o livro seria devolvido. Sem nem olhar para mim, ela me disse que não tinha como saber disso. “Nossa, então se eu ficar com o mesmo livro por um ano ninguém vai saber, já que eles não controlam datas de devolução de um livro”, pensei. É claro que foi um pensamento sarcástico, pois estava na cara que a funcionária é que não queria averiguar para mim. Bem, não adiantava eu ficar indo todo dia na biblioteca, pois a pessoa que pegou poderia ir um dia em que eu não estava lá e renovar o empréstimo. Resolvi então fazer uma reserva.
No outro dia, chegue até uma funcionária (diferente da anterior) e solicitei uma reserva para o livro. Eis que a funcionária me diz “qual o livro?”. Eu disse qual era o nome do livro, mas não era o nome que ela queria saber. Ela queria saber onde estava o livro. “Onde está o livro? Não sei, está emprestado” eu disse. Então a funcionária me dá um sorriso de lamentação e diz “desculpe, eu preciso do livro para fazer a reserva”.
Prestaram bem atenção nisso? Ela me disse que precisava do livro para fazer a reserva! Até onde eu sei, as pessoas reservam livros porque não estão com os livros. Se eu estou querendo fazer uma reserva, significa que eu não estou com o livro. Se eu estivesse com o livro, por que eu faria uma reserva? Por que eu reservaria algo do qual já tenho posse (ainda que provisória)?
Argumentei tudo isso para a funcionária e ela me disse que não podia fazer nada, pois precisava do código de barras que se encontra na contra-capa do livro para efetuar a reserva. Eu disse então que a reserva de livros era algo inútil, pois era impossível reservar assim. Dessa vez a funcionária não disse nada, apenas abriu os braços como quem dissesse “Só lamento”.
Parece mentira né? Pois é, isso tudo me aconteceu na Biblioteca Central do Gragoatá na UFF. Mas a história não para por aí. Já que era impossível reservar o livro, resolvi deixá-lo para lá e procurar outras referências bibliográficas. Procurei por outros livros na mesma biblioteca e acabei encontrando um interessante. Para minha sorte esse livro estava na estante. Assim, consegui pegá-lo sem problemas. Passada uma semana, eu ainda não tinha tido tempo de ler o livro todo. Fui até a biblioteca para renovar e sabem o que escutei? “Me desculpe, você não pode renovar porque há uma reserva para esse livro”. É mole???
A história se passou à cerca de dois meses e meio. Eu tinha de fazer um trabalho para a disciplina “Jornalismo Político” e procurava alguns livros que pudessem servir de referência. No trabalho eu tinha de falar sobre políticas de comunicação. Acreditem, não é fácil achar livros com este tema. Procurei bastante até que encontrei um livro no acervo da biblioteca da UFF chamada “Agências de Comunicação – Como Agem”. “Nossa, caiu como uma luva”, pensei. Mas qual não foi minha decepção quando ao chegar na prateleira onde estava percebi que ele não estava lá. Bem, o jeito era voltar outro dia.
No outro dia voltei à biblioteca para procurar o livro e ele ainda não tinha sido devolvido. E isso se repetiu por mais uns 3 dias. Resolvi então perguntar a uma funcionária quando o livro seria devolvido. Sem nem olhar para mim, ela me disse que não tinha como saber disso. “Nossa, então se eu ficar com o mesmo livro por um ano ninguém vai saber, já que eles não controlam datas de devolução de um livro”, pensei. É claro que foi um pensamento sarcástico, pois estava na cara que a funcionária é que não queria averiguar para mim. Bem, não adiantava eu ficar indo todo dia na biblioteca, pois a pessoa que pegou poderia ir um dia em que eu não estava lá e renovar o empréstimo. Resolvi então fazer uma reserva.
No outro dia, chegue até uma funcionária (diferente da anterior) e solicitei uma reserva para o livro. Eis que a funcionária me diz “qual o livro?”. Eu disse qual era o nome do livro, mas não era o nome que ela queria saber. Ela queria saber onde estava o livro. “Onde está o livro? Não sei, está emprestado” eu disse. Então a funcionária me dá um sorriso de lamentação e diz “desculpe, eu preciso do livro para fazer a reserva”.
Prestaram bem atenção nisso? Ela me disse que precisava do livro para fazer a reserva! Até onde eu sei, as pessoas reservam livros porque não estão com os livros. Se eu estou querendo fazer uma reserva, significa que eu não estou com o livro. Se eu estivesse com o livro, por que eu faria uma reserva? Por que eu reservaria algo do qual já tenho posse (ainda que provisória)?
Argumentei tudo isso para a funcionária e ela me disse que não podia fazer nada, pois precisava do código de barras que se encontra na contra-capa do livro para efetuar a reserva. Eu disse então que a reserva de livros era algo inútil, pois era impossível reservar assim. Dessa vez a funcionária não disse nada, apenas abriu os braços como quem dissesse “Só lamento”.
Parece mentira né? Pois é, isso tudo me aconteceu na Biblioteca Central do Gragoatá na UFF. Mas a história não para por aí. Já que era impossível reservar o livro, resolvi deixá-lo para lá e procurar outras referências bibliográficas. Procurei por outros livros na mesma biblioteca e acabei encontrando um interessante. Para minha sorte esse livro estava na estante. Assim, consegui pegá-lo sem problemas. Passada uma semana, eu ainda não tinha tido tempo de ler o livro todo. Fui até a biblioteca para renovar e sabem o que escutei? “Me desculpe, você não pode renovar porque há uma reserva para esse livro”. É mole???
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